Frank Borzage

Realizador norte-americano, Frank Borzage nasceu em Salt Lake City, a 23 de abril de 1893, e morreu em Hollywood a 19 de junho de 1962. Filho de mãe alemã e pai italiano, com 13 anos trabalhava já em ocupações exigentes, auxiliando o seu pai na construção de casas ou trabalhando como mineiro em minas de prata. Em 1908, apaixonou-se pelo teatro ao assistir a uma peça na sua cidade natal, pelo que tomou a opção de fugir de casa e juntar-se a um grupo teatral itinerante. Chegou a Hollywood como ator em 1910, tendo sido figurante em diversos westerns. A fama chegaria em 1914 quando protagonizou The Wrath of the Gods (1914), uma história de amor inter-racial que teve enorme popularidade junto do público. Em 1916, resolveu enveredar pela realização, estreando-se com Land of Lizards (1916). Entre 1916 e 1920, foi o realizador mais profícuo de Hollywood, assinando cerca de 25 filmes, a maior parte dos quais já desaparecidos. Mas Borzage teve que esperar até 1920 para viver o seu primeiro grande sucesso comercial como realizador: Humoresque (1920), um drama sobre a comunidade judaica de Manhattan. Nos últimos dias do cinema mudo, Borzage acumulou sucessos, sobretudo histórias românticas como Secrets (Segredos, 1924) e Early to Wed (Antes Que Cases, 1926). Foi o primeiro vencedor do Óscar para Melhor Realizador pelo seu trabalho em The Seventh Heaven (A Hora Suprema, 1927), filme que ajudou a lançar para o estrelato a atriz Janet Gaynor com quem trabalharia por diversas ocasiões. Borzage repetiu o Óscar pela direção de Bad Girl (Uma Joia de Rapariga, 1931), suplantando na corrida para o seu segundo galardão os realizadores King Vidor e Josef von Sternberg. Os prémios convenceram os principais produtores de Hollywood a entregar-lhe os projetos mais dispendiosos: a adaptação cinematográfica de A Farewell to Arms (Adeus às Armas, 1932); retratou a Grande Depressão em Man's Castle (1933); descreveu a ascensão ao poder de Hitler em Little Man, What Now (1934), e assinou uma das mais deliciosas comédias românticas de sempre, Desire (O Desejo, 1936), com Marlene Dietrich e Gary Cooper. Alcançou novo sucesso com a adaptação do romance homónimo de Erich Maria Remarque, Three Comrades (Três Camaradas, 1938). A partir da década de 40, os trabalhos de Borzage começaram a perder qualidade devido à tentação do realizador em ceder aos caprichos comerciais dos produtores. Neste período, assinou alguns musicais e comédias mas só The Spanish Main (O Terror dos Sete Mares, 1945), um filme de piratas, teve algum sucesso comercial. Em 1949, foi acusado pelo Senador McCarthy de simpatizar com as teorias comunistas e, como tal, entrou para a "lista negra", tendo sido proibido de exercer a sua função. Apesar de ter recebido convites para trabalhar na Europa, Borzage manteve-se fiel a Hollywood que, em 1958, o perdoou, tendo regressado com o filme de guerra China Doll (1958) e o épico bíblico sobre a vida de S. Pedro The Big Fisherman (Simão, o Pescador, 1959). Este último veio a revelar-se um grande flop e levou Borzage a instalar-se em França onde produziu e co-realizou, juntamente com Edgar G. Ulmer, o filme de ficção científica L'Atlantide (1961). Voltou a Hollywood onde acabaria por morrer, vítima de cancro.
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