FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente)

A FRETILIN, Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente, foi fundada em 20 de maio de 1974 com o nome de ASDT (Associação Social-Democrática Timorense) e no programa do partido estava, entre outros, consagrada a independência de Timor-Leste, bem como um período de transição de 3 a 8 anos com reformas de ordem social, económia e política no sentido de uma democracia-social.
Pouco depois as posições radicalizaram-se, apoiadas nas ideias do sargento Nicolau Lobato e a ASDT transformou-se na FRETILIN.
A posição radical tomada pela FRETILIN levou muitos timorenses a associarem-se a este partido, em oposição à UDT (União Democrática Timorense). Em agosto de 1975, após uma breve coligação com a FRETILIN, a UDT encenou um golpe de estado, respondido pela FRETILIN com um contra-golpe que veio a desencadear uma guerra civil, à qual a administração portuguesa não conseguiu fazer frente, abandonando a ilha. Em 28 de novembro a FRETILIN tomou o poder e declarou a independência de Timor-Leste. As forças armadas, as Falintil, foram formadas nesta altura. A 7 de dezembro desse ano Timor-Leste foi invadido e ocupado pelas forças da Indonésia. Os membros da FRETILIN refugiaram-se nas montanhas, passando a desenvolver ações de guerrilha contra o invasor.
Em dezembro de 1978, Nicolau Lobato, líder militar da resistência, foi morto pelas forças indonésias e em 1981 a FRETILIN estava dizimada, devido aos ataques indonésios, que terão usado Napalm e o outros químicos na luta contra a resistência armada. Xanana Gusmão, então a chefiar as tropas do setor Oeste, dedicou-se à tarefa de reagrupar as tropas.
Os primeiros contactos entre Timor e a Indonésia ocorreram em 1983, com a proposta da Indonésia de conversações para a paz apoiadas por Xanana Gusmão. A FRETILIN apresentou então as suas pretensões: o levantamento do bloqueio naval; o contacto com o mundo exterior; a entrada de observadores internacionais e o envolvimento da ONU nas negociações de cessar-fogo.
Meses mais tarde o cessar-fogo foi violado pelo general indonésio Benny Murdani, que enviou mais militares para Timor-Leste com o objetivo de acabar com a resistência timorense. As Falintil, no entanto, sobreviveram a todos os ataques, tendo-se reagrupado graças aos esforços de Xanana Gusmão e ao apoio do povo timorense.
Em 1988, Xanana conseguiu a união das várias forças à volta da causa nacional no CNRM, o Conselho Nacional da Resistência Maubere. Neste conselho reuniam-se a FRETILIN, UDT, Renetil (a maior organização juvenil clandestina). No ano anterior, as Falintil haviam integrado os membros da UDT, tendo levado as chefias da FRETILIN a atribuir-lhe o estatuto de exército não partidário, sob o comando de Xanana Gusmão.
A resistência armada continuou ativa, resistindo a golpes como a prisão e morte, em junho de 1997, de David Alex, o número três da estrutura da FRETILIN, e a prisão de Xanana Gusmão, a 20 de novembro de 1992. Este veio a ser amnistiado e libertado em setembro de 1999, uns dias após o resultado do referendo sobre a autodeterminação dos timorenses, realizado a 30 de agosto, no qual 78,5% dos votos foram a favor da independência.
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