função poupança

O conceito de poupança corresponde genericamente à diferença entre o rendimento disponível (seja de um indivíduo em particular ou da economia em geral) e o total das despesas de consumo efetuadas por um determinado agente económico.

Corresponde portanto ao que sobra depois de efetivado o consumo de bens e serviços que permite ao referido agente maximizar a sua utilidade, ou seja, a satisfação de necessidades.
Neste contexto, fica desde logo claro que a poupança está indissociavelmente ligada ao consumo, que é normalmente uma das principais rubricas da procura agregada de uma economia.
Paralelamente, a poupança está também diretamente ligada ao investimento, embora na maior parte dos casos, a nível macroeconómico, os agentes que poupam ou aforram não sejam os mesmos que investem (por exemplo, o valor depositado num banco por um aforrado é utilizado em operações de investimento desenvolvidas pela entidade financeira).

Há várias razões que levam um agente a poupar (precaver o futuro, obter rendibilidade da aplicação das suas poupanças, etc.), sendo que há algumas tendências verificadas empiricamente relativamente à forma como é feita essa poupança. Desde logo, pode dizer-se que o valor da poupança de um agente depende do valor do seu rendimento.

Paralelamente, é importante referir que o valor destinado a poupança é normalmente crescente de forma mais do que proporcional ao aumento do rendimento, assim como a poupança pode ser negativa para um determinado período, ou seja, os agentes podem ter de recorrer a poupanças passadas ou ao crédito.

O facto de se poupar mais quando se obtém mais rendimento está ligado ao conceito de propensão marginal à poupança, que corresponde ao valor poupado por unidade adicional de rendimento.
O valor desta propensão está ligado à propensão marginal ao consumo, já que quanto maior for um menor será naturalmente o outro.

O principal instrumento de análise da poupança é a chamada função poupança, que traduz a relação entre o valor poupado por um determinado agente económico e o valor do seu rendimento disponível.
Neste contexto, a função poupança é muitas vezes representada num gráfico em que no eixo vertical é colocada a variável poupança líquida e no horizontal a variável rendimento disponível.

Tendo em conta que a poupança corresponde à diferença entre consumo e rendimento, a função poupança vai ser deduzida através da subtração vertical da função Consumo à bissetriz do ângulo reto definido pelo gráfico em que esta é representada.

Nesse gráfico, na zona em que a curva da função consumo se situar acima da bissetriz, verifica-se um excesso de consumo face ao rendimento, pelo que as famílias estarão a recorrer a poupanças do passado ou ao crédito; por outro lado, na zona em que a curva da função consumo se situa abaixo da bissetriz referida, as famílias obtêm uma poupança, que corresponde à diferença entre as duas linhas; no ponto de interseção da curva da função consumo com a bissetriz, o consumo iguala o rendimento.

Para cada nível de rendimento, a curva da função poupança vai representar portanto a diferença entre esse mesmo rendimento e o consumo correspondente, pelo que a sua origem pode dar-se para níveis de poupança negativos, em casos de recurso a crédito ou utilização de poupança de períodos anteriores.

A curva apresenta normalmente uma forma crescente em direção a Nordeste, sendo o seu declive crescente face à origem à medida que aumenta o rendimento. Este facto deriva do facto de a propensão marginal à poupança, que graficamente representa precisamente o declive da curva da função poupança, ser também crescente.

Tendo em conta a interdependência entre poupança e consumo, é de esperar que os mesmos fatores possam influenciar as duas grandezas.
Desta forma, para além do rendimento disponível, há outros fatores que podem provocar um impacto potencial na poupança, como sejam o rendimento permanente (que deriva do facto de os agentes tomarem decisões de consumo tendo em vista o futuro), os impostos e a inflação (estes como potenciais desincentivadores da poupança).

A 31 de outubro, comemora-se o Dia Mundial da Poupança.

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