Gálatas

Nome dado aos Celtas pelos Gregos antigos, embora designe mais especificamente a tribo que habitava a Galácia, na atual Turquia. Os Celtas penetraram na região dos Balcãs e do Danúbio nos começos dos séculos V-IV a. C. Em 280 a. C. derrotaram os Macedónios no Norte da Grécia, lançando-se depois sobre a cidade sagrada de Delfos, para a saquear. Todavia os Etólios repeliram-nos da região. Voltaram-se então contra os Trácios, no Nordeste da Grécia, mas foram derrotados por estes. Algumas das tribos célticas atravessaram, contudo, o Helesponto (estreito do Bósforo), em direção à Ásia Menor (Turquia). Belicosas, estas tribos envolveram-se várias vezes em confrontos armados na região, apesar de sujeitas ao governo de tetrarcas locais. Antíoco I da Síria (c. 277) e Atalo I de Pérgamo (229-228) foram alguns dos senhores locais que venceram os Celtas da Ásia Menor, que eram compostos essencialmente por três tribos: os Tolistóbogos, os Trocmi e os Tectosagi. Estas foram remetidas progressivamente para o interior, estabelecendo-se no território situado entre o curso médio dos rios Sangario (atual Sakarya) e Halys (Kizil Irmak), numa região entalada entre a Bitínia, o Ponto, a Capadócia e a Frigia. Algumas das áreas limítrofes destas regiões foram mesmo ocupadas pelos Gálatas.
Os Gálatas, estabelecidos numa região planáltica rica em cereais, acabaram por ser atores de todos os acontecimentos ocorridos na Ásia Menor a partir do século II a. C., o que motivou ulteriormente a intervenção dos Romanos. O cônsul Gneu Mânlio Vulsone, devido à aliança dos Gálatas com Antíoco III da Síria, atacou-os e derrotou-os em 189 a. C. Alguns anos depois, em 183 a. C., os Gálatas confrontaram-se com Eumenes II de Pérgamo, com quem viriam a registar novos duelos em 168 a. C., sempre com algum sucesso. Com o apoio de Roma, a quem se aliaram, tornaram-se independentes em 166 a.C, fora portanto do domínio dos soberanos greco-anatólico-sírios, sob os quais antes estiveram. Depois dos reinados de Deiotaro e de Amintas, último rei, os Gálatas foram dominados pelos Romanos, a partir do ano de 25 a. C., criando-se a província romana da Galácia, governada por um propretor (pretor que foi reeleito para o mesmo cargo administrativo) e com capital em Ancira, a cidade histórica mais importante dos Gálatas da Ásia Menor. A população era essencialmente galo-grega (mestiçagem) e também gálata e grega, além de romanos e judeus.
A região foi evangelizada pelo apóstolo S. Paulo, que a visitou várias vezes. Chegou mesmo a escrever aos cristãos gálatas uma Carta, um dos manifestos mais importantes da parte de Paulo relativamente à emancipação dos cristãos face ao Judaísmo. De facto, devido a intrigas dos Judeus, que defendiam que os Gálatas depois de receberem o Cristianismo se deveriam submeter à circuncisão e à observância da lei e instituições mosaicas (de Moisés, logo judaicas). Paulo argumentou que a lei tinha um papel apenas preparatório e passageiro, sendo necessário caminhar no espírito e na liberdade, em comunidade.
Também S. Jerónimo nos dá notícias dos Gálatas nos seus escritos, que no século IV d. C. referia que os mesmos mantiveram os seus costumes e usos, bem como a sua língua, bem como alguns ritos religiosos e ideias, embora muito mesclados com os mistérios frígios, por exemplo, de influência greco-romana. Hoje os Gálatas não existem como povo definido pela língua, cultura, religião e costumes, pois foram completamente islamizados e adotaram a cultura turca, com cujo povo se mestiçaram completamente. Apenas se notam comunidades de turcos na região da Galácia com cabelo, pele e olhos mais claros, além de maior estatura média.
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