George Balanchine

Bailarino e coreógrafo russo, naturalizado norte-americano, George Balanchine, nome artístico de Georgi Militonovitch Balanchivadze, nasceu a 22 de janeiro de 1904, em São Petersburgo, na Rússia.
Sendo o pai compositor, estudou Piano e Composição no Conservatório de São Petersburgo, o que veio a revelar-se fundamental no futuro, sendo mesmo considerado pela crítica como o coreógrafo com maiores conhecimentos musicais de todos os tempos. Em 1914, ingressou na Escola Imperial (depois Escola de Bailado do Estado Soviético), na qual se formou em 1921. Iniciou a sua carreira como bailarino ao representar, com 10 anos, o papel de Cupido, em A Bela Adormecida, numa produção da Companhia do Teatro Bailado Maryinsky da qual se tornou membro do corpo de bailarinos aos 17 anos.
Em 1924, foi um dos quatro bailarinos (os outros Tamara Geva, Alexandra Danilova e Nicholas Efimov) que saiu da União Soviética para uma tournée na Europa ocidental. Os quatros bailarinos foram convidados por Sergei Diaghilev para integrar os Ballets Russos de Paris. Pouco depois, Sergei Diaghilev nomeou Balanchine como coreógrafo da companhia, função que ocupou até 1929, ano da morte de Diaghilev.
Em seguida, Balanchine coreografou para várias companhias e criou a sua própria companhia, em 1933, ano em que foi convidado por Lincoln Kirstein, responsável do ballet americano, para viajar até Nova Iorque e com ele fundar a Escola de Bailado Americano e a Companhia de Bailado Americano. A partir de então, realizou várias coreografias para várias companhias de óperas e de bailados, passando a liderar o bailado norte-americano. Conseguiu ainda implementar a dança como elemento definitivo nos musicais através dos seus trabalhos coreográficos em Slaughter on Tenth Avenue do musical On Your Toes (1936) e da comédia musical The Boys from Syracuse (1938).
Depois da extinção da Companhia de Bailado Americano em 1938, fundou com Kirstein a Ballet Society (1946) que, dois anos depois, se transformou no New York City Ballet, tornando-se num dos melhores grupos do mundo e produzindo uma nova geração de bailarinos.
Contra o ballet narrativo, Balanchine era considerado como mestre do bailado abstrato ou neoclássico, no qual a própria dança era o elemento central do enredo e no qual o movimento do corpo servia de contraponto à música. De acordo com esse estilo neoclássico e também por razões económicas, desprezava os cenários e os figurinos. Implementou uma postura corporal precisa e com linhas alongadas, preocupou-se com o uso extensivo do espaço e incrementou mais vivacidade e velocidade às danças. Dos 425 trabalhos concebidos por Balanchine salientam-se Apollon Musagète (1928), The Prodigal Son (1929), The Four Temperaments (1946), Ivesiana (1954), Liebeslieder Walzer (1960), Don Quixote (1965), Jewels (1967). Coreografou bailados de vários compositores contemporâneos, como de George Gershwin, Richard Rodgers, Sergei Prokofiev, Igor Stravinsky, Charles Ives, entre outros.
Recebeu várias condecorações, como a de Cavaleiro da Ordem de Dannebrog entregue pela rainha Margarida II da Dinamarca, a Cruz de Honra para a Ciência e Arte da Áustria, o Prémio Coração de Nova Iorque, da Associação Americana do Coração, o Prémio Kennedy Center Honors e a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta distinção norte-americana.
George Balanchine faleceu a 30 de abril de 1983, com o sindroma de Creutzfeldt-Jakob, nos Estados Unidos da América. Em 1987, foi criada a Balanchine Trust, uma organização que detém os direitos de autor sobre os trabalhos do coreógrafo e que controla a qualidade de vários espetáculos de dança. A 29 de abril de 2004 (Dia Mundial da Dança) e em comemoração do centenário do seu nascimento, a Companhia Nacional de Bailado apresentou, em Lisboa, três bailados coreografados por Balanchine, Apollo (inicialmente Apollon Musagète, 1928), Serenade (1934) e Who Cares? (1970).
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