Gibraltar

Território do Reino Unido no Sul da Península Ibérica. Situada junto ao estreito do mesmo nome, na base de um alcantilado rochedo calcário ligado ao continente por uma reduzida língua de areia, encontra-se Gibraltar, atual colónia da Coroa britânica. É estrategicamente preciosa como base aeronaval devido à posição-chave de porto à entrada do Mediterrâneo, e porto de escala para reabastecimento, dando à cidade, além da função militar, uma função comercial de relativa importância. Ocupando apenas 6,5 km2 de superfície, Gibraltar tem uma população de 27 776 habitantes (julho 2003 est.). A sua capital é a Cidade de Gibraltar.
Possui um clima temperado mediterrânico, com invernos amenos e verões quentes.
Uma vez que Gibraltar não possui recursos agrícolas nem minerais, os seus habitantes, na maior parte, ganham a vida graças ao porto, às docas e às bases da NATO. As principais atividades económicas são as reparações navais, o abastecimento aos navios, as indústrias alimentares e de bebidas, o turismo, o comércio e os serviços de reexportação. Embora a presença naval britânica em Gibraltar tenha diminuído muito desde o seu auge, antes da Segunda Guerra Mundial, o estreito de Gibraltar é uma das mais frequentadas vias marítimas do Mundo, com a passagem de um navio todos os seis minutos.
Desde que os antigos Gregos ali se estabeleceram, Gibraltar tem sofrido numerosas invasões e, até ao século IV a. C., foi considerado pelos navegadores mediterrânicos o fim do Mundo.
Os Fenícios chamaram Alube a Gibraltar e os Gregos denominavam o estreito de Gibraltar por estreito de Hércules pois, segundo a lenda, foi Hércules que formou o estreito ao separar a Europa da África, erguendo as Colunas de Hércules, que seriam Calpe (Gibraltar) e Abila (Ceuta). Em 711, o árabe Tárique desembarcou na Calpe, que fortificou, unindo o seu nome à plataforma continental que lhe abriu posse do extremo sul da Europa: daí o nome de Gibraltar (do árabe Yebel al-Tarik, Rochedo de Tárique). Os Muçulmanos dominaram esta península quase ininterruptamente até 1462, quando foram expulsos pelos Espanhóis. Foi depois capturada pelos Britânicos e Holandeses em 1704, durante a Guerra da Sucessão de Espanha e reconhecida como colónia britânica em 1713 pelo Tratado de Utreque, confirmado pelo de Versalhes (1783), tendo sido cercada pelos Espanhóis e Franceses ao longo dos anos.
Gibraltar comprovou o seu valor estratégico na guerra contra Napoleão e nas duas guerras mundiais (primeira metade de século XX). A Espanha tem tentado recuperar Gibraltar: militarmente em 1726 e de 1779 a 1782, e, sobretudo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mediante uma solução política.
Num referendo das Nações Unidas realizado em 1967, somente 44 dos mais de 12 000 votantes afirmaram preferir ser governados pela Espanha. O respeito da Grã-Bretanha pelos desejos dos naturais de Gibraltar quanto à sua nacionalidade está expresso na Constituição de Gibraltar.
Os naturais de Gibraltar são uma mistura de ascendências mourisca, britânica, maltesa, asiática, genovesa e espanhola e falam tanto o inglês como o castelhano. A maioria é católica. A esperança média de vida é de 79 anos.
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