Gilberto Amado

Escritor, jurista, diplomata e político brasileiro, Gilberto Amado nasceu em 1887, em Estância, no estado brasileiro de Sergipe, e faleceu em 1969. Vindo muito cedo da província para a metrópole, Gilberto Amado tornou-se conhecido entre as figuras de primeiro plano do mundo literário com a sua colaboração na imprensa do Rio de Janeiro, iniciada no Jornal do Comércio. O seu interesse pelas questões sociais e políticas do Brasil manisfestou-se logo nos escritos que publicou no Diário de Pernambuco quando estudava Direito no Recife, em cuja Faculdade se tornou, mais tarde, catedrático em Direito Penal.
Era já um nome de destaque quando, aos 21 anos, publicou o livro de ensaios A Chave de Salomão e Outros Escritos (1914). Em 1917 publicou o livro de poesia Suave Ascensão e em 1919 o seu segundo volume de ensaios Grão de Areia. Entre 1929 e 1930, deu a lume Aparências e Realidades, livro de ensaios literários, políticos e sociais, e Espírito do Nosso Tempo, um conjunto de conferências sobre temas filosóficos e literários. Publicou igualmente Eleição e Representação (1932), um estudo da realidade política e das fontes do poder no Brasil, Dança sobre o Abismo (1932) e Dias e Horas de Vibração (1933). Destacou-se também como romancista, através de livros como Inocentes e Culpados (1941) e Os Interesses da Companhia (1942). Atento aos problemas nacionais, iniciou a atividade política em 1915, com a sua primeira eleição para a Câmara de Sergipe. Reeleito deputado pela sua província natal, passou a representá-la no Senado, encerrando a sua carreira política com a Revolução de 1930. Foi presidente da Comissão de Diplomacia e membro da Comissão de Finanças. Participou nas Conferências Interparlamentares de Comércio realizadas em Roma, Londres, Paris, Berlim e Bruxelas, respetivamente em 1925, 1926, 1927, 1928 e 1930.
Em 1934, foi nomeado consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores. Passou, mais tarde, a embaixador, em carácter permanente, cumprindo a sua primeira missão no Chile. A partir de 1948, tornou-se membro da Comissão de Direito Internacional da ONU, sendo da sua autoria várias publicações que se encontram no Anuário das Nações Unidas.
Em 1954, Amado iniciou a publicação das suas memórias, com História da Minha Infância, a que se seguiram Minha Formação no Recife (1955), Mocidade no Rio e Primeira Viagem à Europa (1956), Presença na Política (1958) e Depois da Política (1960). Os temas e problemas brasileiros são uma constante nos seus trabalhos intelectuais, sem prejuízo para a grande cultura de que dão mostras.
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