Giosuè Carducci

Poeta e homem de letras italiano, Giosuè Carducci nasceu a 27 de julho de 1835, numa localidade toscana de nome ValdiCastello. Filho de um médico ateu e defensor ardente da União Italiana, membro da Carbonária, foi educado para amar a pátria e os seus poetas.
Em virtude das convicções políticas do seu pai, que lhe condenaram a vida a uma perpétua sucessão de perseguições e exílios, o jovem Carducci deambulou um pouco por todo o território italiano até que o pai se conseguisse por fim estabelecer em Florença, em 1849. Aí permaneceu durante dois anos, e aí começou a escrever, inspirado pelos românticos ingleses e alemães, em especial Lord Byron e Friedrich Schiller. Acompanhando ainda a sina do pai, que em 1851 se reconverteu ao catolicismo e aceitou o cargo de médico de província na pequena aldeia de Celle, Giosuè Carducci aproveitou o breve idílio para ensinar canções patrióticas aos outros rapazes, compondo também versos religiosos. Não obstante, de novo palpitou a veia política do seu pai e, a braços com a lei, foi relegado para um posto de cirurgião mal pago, despromovido quase ao nível de um barbeiro.
Giosuè procurou então forma de sustentar as suas ambições estudantis, o que conseguiu fazer compilando uma antologia da poesia italiana, L'Arpa Del Popolo, Scelta Di Poemi Religiosi, Morali E Patriotici (1855). Deu também início a uma carreira no jornalismo, escrevendo para o L'Appendice artigos que lhe concederam uma certa reputação. Assegurados assim os seus estudos, licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Pisa e prosseguiu até se doutorar em 1856 pela Scuola Normale Superiore, começando depois a trabalhar como professor em Pistoia, tornando-se bastante respeitado pelas suas cativantes aulas de Grego Clássico. O vislumbre da felicidade seria no entanto ensombrando pela melancolia, cultivada pelo suicídio do irmão e a morte do pai. Revoltado com a injustiça do infortúnio, Carducci tornou-se implacável nas suas críticas da imprensa, o que veio acrescer a sua fama de seriedade e rigor.
Em 1859 julgou descobrir nos ideais republicanos a força anti-clerical que as suas convicções monárquicas não conseguiam exprimir. Nomeado professor de Literatura Italiana pela Universidade de Bolonha, foi suspenso em 1863 e correu o risco de ser transferido em 1867, mas foi regente da cadeira de Literatura Italiana até 1904.
Filho de seu pai, Carducci deixou uma obra marcada pelas suas preocupações políticas, alternadamente pró e anti-monárquicas, e por um inabalável enamoramento pelo seu país, que ansiava ver unido. Foi considerado como um grande pioneiro na inovação das estruturas formais da poesia italiana. Juvenilia (1860), L'Inno A Satana (1865), Levia Gravia (1868), Giambi Ed Epodi (1879) e Confessione E Battaglie (1882-84), foram exemplos dessa alma que desejava que a humanidade da Itália igualasse a beleza e tranquilidade das suas paisagens.
Tido como o poeta nacional da Itália unificada, foi feito senador vitalício em 1890. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1906. Giosuè Carducci faleceu em Lucca a 16 de fevereiro de 1907. A totalidade da sua obra foi publicada numa edição em trinta volumes, entre os anos 1939 e 1941, com o título Opere Complete.
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