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Giovanni Boccaccio
Sábio e poeta italiano, nasceu em 1313 (Paris) e morreu a 21 de dezembro de 1375 (Certaldo, Toscana, Itália). Filho de um mercador toscano, Boccaccio passou a sua infância em Florença, e, em 1328, o pai enviou-o para um escritório do banco dos Bardi, em Nápoles, onde se iniciaria na arte do negócio. No entanto, o interesse pela literatura desde cedo revelado por Boccaccio levou-o a estudar Direito Canónico, o que permitiu uma aproximação às elites intelectuais napolitanas, nomeadamente a admiradores e amigos de Petrarca. Outro facto importante ocorreu durante este período: Boccaccio conheceu Fiammetta, por quem se apaixonou, transformando-a na personagem dominante ao longo da sua obra.
Em 1340, regressa a Florença, trazendo já consigo uma série de obras completas: La caccia di Diana (1334), o seu primeiro trabalho, que consistia num poema escrito em tercetos; Il filoloco (1336), uma obra de cinco livros escrita em prosa e que tratava as venturas e desventuras de Florio e de Biancofiore; Il filostrato (1338), um pequeno poema escrito em oitavas que versava a história de Troilo e Griselda; e Teseida (terminada em Florença em 1340-41), um épico de 12 cantos escrito em oitavas, cuja história se prende com o amor de dois amigos, Arcita e Palémon, por Emília, com as Guerras de Teseu como pano de fundo. Nestas obras, os temas de cavalaria e de amor eram enriquecidos pela arguta observação de Boccaccio sobre a realidade e pela retórica ornamental, não só elevando o italiano ao nível da literatura latina, como também contribuindo para a dignificação dos poemas escritos em oitavas.
Boccaccio manteve-se bastante ativo em Florença, apesar das sérias dificuldades económicas que atravessou. De 1341 a 1345 escreveu Il ninfale d'Ameto, obra em prosa e tercetos; L'amorosa visione (1342-43), um poema alegórico com 50 cantos em tercetos; Elegia di Madonna Fiammetta (1343-44), escrita em prosa; e Il ninfale fiesolano (1344-45), um poema em oitavas sobre o amor entre o pastor Africo e a ninfa Mensola. Finalmente, entre 1348 e 1353, Boccaccio escreve a sua mais famosa obra: Decâmeron, que narra a fuga de sete mulheres e três homens de Florença (atacada pela Peste Negra) para algures no campo, onde, durante dez dias, cada membro do grupo é rei (ou rainha) durante um dia, dedicando mais cinco dias a dissertações diversas.
Entretanto, em 1350, Boccaccio conhece Petrarca, a quem olha como mestre. Aliás, Petrarca confirmou-se como capaz de o aconselhar, ajudar e orientar, e, juntos, através da troca de ideias e obras, lançaram as sementes do Humanismo. Nos anos seguintes, apenas a obra Il Corbaccio (1354-55, uma sátira sobre uma mulher que lhe provocou um profundo desgosto de amor) foi escrita em italiano, dedicando-se Boccaccio a obras escritas em latim, como a enciclopédia De genelogia deorum gentilium, iniciada em 1350 e continuamente revista até à sua morte; Bucolicum carmen (1351-66), uma série de eclógas alegóricas sobre factos contemporâneos; De claris mulieribus (1360-74), uma coleção de biografias de mulheres famosas; e De casibus virorum illustrium (1355-74), onde se retrata o triste destino dos demasiado afortunados. Esta mudança na escrita deve-se não só à influência de Petrarca, mas também ao enfraquecimento da sua saúde e a alguns desgostos de amor que o levaram mesmo a viver de modo austero, quase monástico.
A tradução para latim dos poemas de Homero feita por Leonzio Pilato permitiu a Boccaccio e a Petrarca conhecer o verdadeiro ponto de partida do Humanismo. Entretanto, para além das obras clássicas, Boccaccio, ao contrário de Petrarca, estudava os seus imediatos predecessores, nomeadamente Dante, chegando a conceber a obra Vita di Dante Alighieri ou Tratatello in laude di Dante e, em 1373, a fazer leituras públicas da Divina Comédia na Igreja de S. Stefano de Badia, em Florença. Após a morte de Petrarca em 1374, refugia-se em Certaldo, onde morre a 21 de dezembro de 1375.
O desejo de Boccaccio de estudar e interpretar a literatura clássica, bem como a dedicação demonstrada em elevar o nível qualitativo da literatura vernacular, dando inclusive destaque às diferentes experiências humanas no quotidiano em obras como Elegia di Madonna Fiammetta ou Decâmeron, caracterizam a sua personalidade humanista, a qual inspirou muita da produção literária renascentista nos séculos seguintes.
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