GNR (Grupo Novo Rock)

O grupo GNR constitui uma das principais referências da história do rock português. O single de estreia, o clássico Portugal Na CEE (1981), contou com o baixista Mano Zé, substituído por Miguel Megre antes da gravação do segundo single, Sê Um GNR (1981). Marcados por letras diretas e politicamente empenhadas, os temas apresentaram um rock puro, sem grandes artifícios técnicos. Ainda assim, ambos os singles venderam mais de vinte mil cópias.
O álbum de estreia, Independança (1982), já com Rui Reininho na voz, originou o primeiro clássico do grupo, "Hardcore (1.º Escalão)", cantado em inglês. Problemas internos originaram a saída de Miguel Megre e de Vítor Rua, um dos fundadores do grupo, levando ao início de um conflito legal sobre o direito de reclamação da sigla GNR (iniciais de Grupo Novo Rock). O lugar de baixista foi entretanto preenchido por Jorge Romão, que tocava com os Bananas (posteriormente Ban). Com a formação composta por Rui Reininho (voz), Alexandre Soares (guitarra), Jorge Romão (baixo) e Toli César Machado (bateria e teclas), o grupo gravou em 1984 o álbum Defeitos Especiais, que consagrou o grupo na então intitulada música moderna portuguesa. O álbum seguinte, Os Homens Não Se Querem Bonitos (1985), incluiu o clássico "Dunas" e promoveu a consagração definitiva da banda, elevando-a um nível de popularidade bastante considerável.
O ano de 1987, viu sair Psicopátria, o último trabalho com o guitarrista Alexandre Soares (que mais tarde editou um álbum a solo e se envolveu nos projetos Zero e Três Tristes Tigres). Tratou-se do maior êxito de vendas do grupo até então, originando os sucessos "Efetivamente", "Bellevue", "Pós-modernos" e "Choque Frontal", entre outros. Com o posto da guitarra por preencher, recorreram ao guitarrista dos Mler Ife Dada, Zézé Garcia, para um concerto no Coliseu dos Recreios em 1987. Seguiu-se a edição do EP Vídeo Maria, que causou alguma polémica. O álbum seguinte, Valsa dos Detetives (1989), confirmou a popularidade do grupo com êxitos como "Impressões Digitais", "Morte ao Sol", "Falha Humana" e "Valsa dos Detetives", entre outros. O regresso ao Coliseu de Lisboa foi inevitável para dois espetáculos esgotados a 31 de abril e 1 de maio de 1990. Estes concertos originaram o registo GNR In Vivo. A querela jurídica com Vítor Rua, obrigou à retirada da primeira edição do disco, para ser re-editado posteriomente, já sem temas da sua autoria. O ano de 1992 marcou o auge da banda em termos comerciais com Rock In Rio Douro. Os duetos com Javier Andreu (La Frontera) e Isabel Silvestre em "Sangue Oculto" e "Pronúncia do Norte", respetivamente, contribuíram para o enorme sucesso do álbum e para os memoráveis concertos no Estádio de José de Alvalade (em 1992, com 40 000 espectadores) e no Estádio das Antas (em junho de 1993). O disco vendeu 94 mil cópias e esteve 38 semanas no top nacional. Os GNR tinham atingido o seu apogeu comercial.
Seguiram-se Sob Escuta (1995), cujo melhor momento foi o single "Mais Vale Nunca", Tudo O Que Você Queria Ouvir - O Melhor Dos GNR (1996), coletânea dos seus maiores êxitos que incluiu os inéditos "Julieta Suicida" e "Pena de Morte"; Mosquito (1998), que incluiu os êxitos "Tirana" e "Saliva".
A 1 de março de 1999 tocaram ao vivo através da Internet, numa iniciativa inédita do grupo.
O grupo foi nomeado na categoria de Banda do Ano para a edição de 1999 dos Globos de Ouro da estação televisiva SIC.
No ano seguinte, editaram Popless, cujos temas mais mediáticos foram "Popless", "Asas Elétricas", integrado na banda sonora do telefilme Amo-te Teresa, "Digital Gaia", uma canção mais próxima das sonoridades dançáveis e "Viva a Preguiça".
Dois anos mais tarde, os GNR decidem-se pela edição de Câmara Lenta (2002), uma compilação das baladas mais significativas da carreira da banda. Ainda nesse ano, chega às lojas um álbum de originais, Do Lado Dos Cisnes (2002).O disco não teve a repercussão comercial esperada, registando-se apenas um single com um êxito relativo, o tema "Sexta-Feira (Um Seu Criado)".
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