Grades Brancas

Coletânea de poemas em prosa editada pela coleção Cancioneiro Geral. O volume reúne pequenas retrospetivas, evocando tempos que precederam o momento em que o "ódio e injustiça", a chegada do "inferno de horrores" viriam obscurecer a infância e a vida adulta, com a sua fatura de separações e dor. Obsidiado pela morte e prisão de amigos e familiares, invadido pelo pânico da perda e da destruição, mesmo quando elas são uma ameaça remota no presente ("Que não surgissem vozes rudes a destruir sem piedade esse sonho que vivia nos teus olhos."), o sujeito poético de Grades Brancas testemunha o desabar de um mundo pessoal, pressentindo-se na sua voz, segundo Fernando J. B. Martinho (cf. Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, Lisboa, Colibri, 1996, p. 319), a repetição da "voz de um povo cuja história é, desde muito cedo, indissociável da amarga experiência do exílio". Ainda segundo o mesmo crítico, a simplicidade de linguagem dos poemas em prosa coligidos em Grades Brancas resulta tanto "da utilização, na escrita literária, com o que ela pressupõe de domínio perfeito do código linguístico, de uma língua que não foi aquela com que a autora fez a aprendizagem de si, dos outros e do mundo", como do "relevo que tem na sua memória literária o texto bíblico, cuja força assenta exatamente na vigorosa simplicidade dos meios expressivos mobilizados". (id., ib., p. 320)
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