Graham Greene

Escritor inglês nascido a 2 de outubro de 1904, em Berkhamsted, Hertfordshire, e falecido em abril de 1991, na cidade de Vevey, na Suíça. Exerceu várias profissões, foi jornalista, correspondente de guerra, crítico de cinema e trabalhou para os serviços secretos - experiência que marcou a sua escrita.
Na infância, ao contrário dos seus colegas de escola, Henry Graham Greene preferia ficar a ler livros de aventuras em vez de praticar desporto. Teve muitos problemas na escola, agravados pelo facto do pai ser o diretor do estabelecimento. Tentou por diversas vezes o suicídio até que um dia fugiu de casa. Depois de ter sido encontrado foi enviado a um terapeuta em Londres, isto numa altura em que tinha quinze anos. Acabou por ser o médico a encorajá-lo a escrever e apresentou-lhe alguns amigos escritores.
Greene foi então estudar História Contemporânea para a Universidade de Oxford. Paralelamente, foi editor no jornal Oxford Outlook e escreveu um romance, intitulado Anthony Sant. Na mesma altura, filiou-se no Partido Comunista.
Licenciou-se em 1925 e foi trabalhar como subeditor no Nottingham Journal. Entretanto conheceu Vivien Dayrell-Browning, que viria ser sua mulher, após esta lhe ter escrito a apontar erros sobre o catolicismo nos seus textos. Graham Greene acabou por estudar o tema e tornou-se católico em 1926.
Logo a seguir, foi trabalhar para Londres como subeditor do The Times e casou com Vivien em 1927. Continuou a escrever mas só com The Man Within conseguiu alcançar o sucesso. De tal forma que resolveu dedicar-se a tempo inteiro à carreira de escritor. No entanto, conheceu alguns fracassos que o levaram a aceitar um trabalho como crítico literário no The Spectator. As dificuldades financeiras fizeram com que Greene escrevesse Stamboul Train, um romance assumidamente comercial.
A partir dessa altura começou a alternar romances sérios com outros mais ligeiros, que ele próprio classificou de entretenimento.
Dedicou-se também à crítica de cinema e à escrita de argumentos para filmes. O mais conhecido de todos foi The third Man (O Terceiro Homem), de 1949, com Orson Wells como protagonista. A sua experiência no mundo cinematográfico, quer como crítico quer como argumentista, influenciou a sua escrita, no modo como descreve as suas personagens, as cenas envolventes e o desenrolar da ação.
Como correspondente de guerra, Graham Greene viajou bastante por vários lugares, essencialmente da Ásia e da América Latina. Inconformado perante a injustiça social e a corrupção política que testemunhou nos percursos geográficos que fez, transpôs as suas experiências para as suas obras, como em Our Man in Havana (1958, O Nosso Agente em Havana) e Honorary Consul (1973, O Cônsul Honorário). As perseguições religiosas que presenciou no México em 1938 levaram-no a escrever The Power and the Glory (1940, O Poder e a Glória). O livro foi aclamado pela crítica e ganhou o Hawthorden Prize em 1941, mas foi condenado pelo Vaticano.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) trabalhou para os serviços secretos britânicos na Serra Leoa, o que lhe deu inspiração para mais romances. Greene foi por diversas vezes acusado de ser espião, mas limitou-se a dizer que era amigo do diretor dos serviços secretos britânico.
Foi ainda acusado de ser anti-americano depois de ter escrito o romance The Quiet American (1955, O Americano Tranquilo), que, curiosamente, mais tarde viria ser adaptado ao cinema pelos próprios norte-americanos.
Graham Greene escreveu vários romances de sucesso, para além dos mencionados, como The End of the Affair (1952, O Fim da Aventura) e The Human Fator (1978, O Fator Humano).
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