Grateful Dead

A história da banda norte-americana Grateful Dead começa com Jerry Garcia, que começou a tocar guitarra aos 15 anos. Dois anos mais tarde, tocava com Bob Weir e Ron McKernan, numa banda chamada Mother McCree's Uptown Jug Champions. Em 1965, o grupo foi renomeado, passando a designar-se The Warlocks, incluindo Phil Lesh (baixo) e Bill Kreutzmann (bateria). Ainda no final desse ano, mudaram o nome para Grateful Dead, nome retirado de uma oração egípcia. Graças aos seus inúmeros concertos gratuitos, o grupo ganhou alguma popularidade local. Assinaram com a MGM e gravaram as primeiras demos em 1966. As sessões foram um desastre e a editroa prescindiu da banda. No ano seguinte, lançaram o primeiro álbum pela Warner, de título homónimo, um registo que falhou, não conseguindo captar a essência dos seus espetáculos ao vivo.
Em 1968, gravam o segundo disco Anthem Of The Sun, contando com a colaboração de um segundo baterista, Mickey Hart. O disco foi mais bem-sucedido que o anterior na tentativa de conseguir o som informal dos Grateful Dead. Fizeram mais uma tentativa, no ano seguinte, com Aoxomoxoa. Contudo, as longas sessões experimentais em estúdio trouxeram à banda uma dívida de 100 000 dólares à editora. Para fazer face à situação, acederam em gravar um álbum ao vivo, editado em 1969, com o título Live/Dead. Só então conseguiram captar a verdadeira essência do seu som improvisado e psicadélico.
No ano de 1970, gravaram dois álbuns clássicos, Workingman's Dead e American Beauty. Estes trabalhos seriam a base do repertório ao vivo dos espetáculos seguintes, incluindo os seus temas mais populares, como por exemplo "Uncle John's Band", "Casey Jones", "Sugar Magnolia" e "Truckin'". Apesar da popularidade da banda ter aumentado consideravelmente e de o tempo dedicado aos Grateful Dead na programação das rádios ter sido multiplicado, a banda continuou a ser, essencialmente, um grupo de palco. Assim, ocupavam a maior parte do tempo em digressões, agora à escala mundial. Tornou-se então famoso o culto Deadheads, a legião de fãs da banda, consumidores de drogas, cuja extravagância marcava as zonas de concerto mais do que a própria música da banda.
Estas digressões caracterizavam-se pelas enormes caravanas de Deadheads, longos concertos, plenos de improviso, e esporádicas incursões pelo estúdio para gravar, sempre sem grande sucesso comercial. Contudo, mantinham uma reputação inabalável, até pelas inúmeras participações em concertos de solidariedade.
Depois de períodos conturbados, marcados pela sua toxidependência, a banda regressa em força em 1987, com o álbum In the Dark, que continha o seu maior êxito de sempre, «Touch of Grey», o primeiro tema a atingir o top ten. De repente, a banda conquistou espaço na MTV e o culto Deadhead ganhou novos aderentes, com outro tipo de comportamento. A audiência dos espetáculos tornou-se mais violenta, levando a algumas situações de envolvimento com forças policiais.
Em 1986, os problemas com as drogas tinham levado Garcia ao estado de coma e colocaram diversas reservas na continuidade da banda. Ainda assim, o grupo continuou a atuar, mais do que nunca, inclusive numa série de espetáculos com Bob Dylan, editados em disco com o titulo Dylan & Dead. Seguiu-se o último esforço de estúdio da banda, Built To Last (1989). Nesse ano, morreram dois fãs da banda, um, após uma fratura do pescoço, nas imediações do espaço do concerto, o outro, por overdose de LSD.
Apesar de uma longa carreira, marcada pela morte de vários membros (McKernan morreu em 1970, assim como os dois substitutos que se seguiram e que morreram em 1980 e 1990, respetivamente), a morte do grande mentor da banda, Jerry Garcia, em 1995, marca o fim do projeto. Os restantes membros enveredaram por vários projetos, sempre imbuídos do mesmo espírito.
Mas o legado dos Grateful Dead não acabou: as digressões, o improviso, os longos concertos e um enorme número de seguidores continuam bem presentes em bandas como Dave Matthew's Band ou Phish, que prontamente ocuparam o lugar deixado vago pelos Grateful Dead. Os embaixadores da música psicadélica e improvisada, orbitando bem longe do circuito comercial, ganharam o seu lugar na história. Os Grateful Dead tornaram-se um ícone das atuações ao vivo. O virtuosismo e originalidade das suas atuações podem ser confirmados na série Dick's Picks, cujo primeiro volume foi editado em 1993, que reúne diverso material de gravações ao vivo dos Dead. Além das reedições dos principais álbuns da banda, foi editado, em 2003, o Dick's Picks vol. 30., o trigésimo elemento de uma coleção de momentos ao vivo, ideal para os verdadeiros Deadheads.
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