Guerra Civil do Zaire (1996-1997)

A partir de outubro de 1996, a grande nação africana do Zaire, na zona dos Grandes Lagos, foi abalada por uma violenta guerra civil. Forças rebeldes, chefiadas por Laurent Kabila, e os exércitos leais ao velho presidente Mobutu, na altura na Suíça, em tratamento a um cancro, travaram violentas batalhas pelo futuro do país, envolvendo no conflito tribos da região, como os Tutsi e os Hutu, e provocando uma das maiores vagas de refugiados dos últimos tempos. Inclusivamente, esta questão dos refugiados virá a provocar atritos com países vizinhos, como o Ruanda.
A 21 de outubro de 1996, combates entre Tutsis e as tropas governamentais fizeram com que cerca de 250 mil refugiados abandonassem os campos de Uvira e se dirigisse para Bukavu. Outros campos, em volta de Goma, são atacados por guerrilheiros do Norte. Os rebeldes lançam uma série de ataques contra posições governamentais. A dimensão do conflito, particularmente pela catástrofe humana que provocou, chama a atenção da comunidade internacional. Vejamos, sumariamente, alguns dos principais factos desta guerra: a 24 de outubro, as tropas de Kabila tomam Nyagenzi; muitos refugiados fogem para o Ruanda, que os ameaça e ordena o seu regresso ao país de origem; a 2 de novembro, os rebeldes (do Norte e do Sul de Kivu, entretanto unidos, desde 1 de novembro) capturam Goma, com o apoio das forças ruandesas; no dia seguinte, a França anuncia a sua disponibilidade para enviar tropas para a região a fim de proteger os refugiados; no dia 5, os líderes regionais discutem a situação numa cimeira reunida em Nairóbi, no Quénia. O Conselho de Segurança da ONU debate igualmente o assunto (9 de novembro), aprovando a resolução 1078, que prevê uma intervenção das suas forças militares; no dia 13, os Estados Unidos estão prontos para enviar tropas para o Zaire, tal como o Canadá. A escalada de violência continua. A 17 de dezembro Mobutu regressa ao país; recebido por cerca de 7 mil apoiantes, promete a "vitória final"; quase de imediato, é acusado de recrutar tropas mercenárias. O seu regresso é por pouco tempo; a 9 de janeiro de 1997, regressa a França. A intensificação dos confrontos e a aproximação dos rebeldes de Kabila da capital e os bombardeamentos das forças governamentais levam à participação da África do Sul, com Nelson Mandela a mediar as conversações entre Kabila e um emissário de Mobutu (19 de fevereiro). No dia 20 de março, Mobutu pede um cessar-fogo; regressará ao país no dia seguinte; a 18 de abril, aceita, em princípio, a proposta de Mandela para se encontrar com Kabila; encontrar-se-ão num navio sul-africano no porto congolês de Ponta-Negra, praticamente apenas para se decidir um novo encontro. Entretanto, os combates prosseguem. Os rebeldes ganham posições. As forças de L. Kabila acabam por vencer a resistência governamental e apoderam-se da capital, a 17 de maio. Um dos primeiros atos do novo regime foi aprovar a mudança de nome do país para República Democrática do Congo. A morte de Mobutu contribuiu para um abrandamento e subsequente deposição das armas. A estabilidade, contudo, não chegou ao antigo Zaire com a revolução. Registaram-se desde logo divergências entre os antigos parceiros de armas e Kabila foi acusado de nepotismo, corrupção e limpeza étnica. Entre os seus adversários contam-se os vizinhos do Ruanda, com quem manteve, quase de seguida, violentos confrontos fronteiriços.
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