Guerra da Indochina

A Guerra da Indochina travou-se entre 1946 e 1954. A França opôs-se à independência da sua antiga colónia (parte sul e este da Indochina, que englobava o território dos atuais Vietname, Camboja e Laos), após o líder nacionalista Hô Chi Minh, a 2 de setembro de 1945, em Hanói, ter proclamado a República Democrática do Vietname. As relações entre os dois países entraram em rutura, dando origem ao conflito.
Na sequência do fim da dominação japonesa na Indochina, os Franceses retomam o seu protetorado. Porém, a contestação aumenta e as reivindicações independentistas alastram. As negociações de Dalat, entre Franceses e o Vietminh (Liga Revolucionária para a Independência do Vietname), falham. Ho Chi Minh exige a união de todo o país, de Hanói a Saigão, no Sul. Os Franceses bombardeiam Haiphong em novembro de 1946 e Ho Chi Minh responde com um ataque, a 19 de dezembro, às guarnições francesas em Tonquim e Anam.
Desde o rebentar da insurreição, o Vietminh comunista controla grande parte do Tonquim e certas regiões de Anam e Cochinchina. As hostilidades concentram-se, contudo, nos deltas dos rios Vermelho (no Norte) e Mekong (no Sul), bem como no litoral de Anam (no Centro). Opõem forças do Vietminh, lideradas por Vo Nguyen Giap e o corpo expedicionário francês. Atrás destes, combatem os exércitos nacionais vietnamita, cambojano e lauciano, organizados pelo general francês de Lattre de Tassigny, alto-comissário da França e comandante-em-chefe de 1950 a 1952. Em 1949, a França concordara com a independência dos Laus, Camboja e Vietname, embora a ela ligados como Estados associados, e coloca à frente do Vietname o imperador Bao Dai. No entanto, neste mesmo ano, os comunistas triunfam na China e armam, então, o Vietminh. Os EUA, assustados com o alastrar do comunismo no Extremo Oriente (a Guerra da Coreia começa em 1950), resolvem apoiar a França em forma de crédito e material militar.
Em 1950, dada a pressão do Vietminh, os Franceses têm dificuldade em manter os postos e guarnições na fronteira do Tonquim com a China, retirando-se a partir de outubro desse ano.
Em abril/maio de 1953, o Vietminh ataca o Norte dos Laus, em ligação com o Pathet Lao, movimento de independência daquele território. A fim de conter o avanço dos vietnamitas e laucianos sobre Luang Prabang, capital dos Laus, os Franceses criam um campo entrincheirado no topo da colina de Dien-Bien-Phu. Acossada e bombardeada pelas forças do Vietminh, entre 13 de março e 7 de maio de 1954, a guarnição francesa cai derrotada ante Giap.
Em 56 dias de luta, milhares de franceses e vietnamitas são mortos.
A guerra (que, como outras travadas na altura, era em parte uma guerra pela descolonização, em parte um conflito da Guerra Fria) terminou com a retirada da França. A 21 de julho de 1954 foi assinado um acordo de paz em Genebra com o Camboja, o Laos e o Vietname, onde ficou estabelecido que se iriam realizar eleições em 1956. Ao abrigo dos acordos, o Vietname ficaria temporariamente dividido em norte e sul, pelo paralelo 17, entre a dominação comunista a norte e um regime pró-ocidental a sul, apoiado pelos Estados Unidos.
Esta declaração final não foi assinada pelo primeiro-ministro da Coreia do Sul nem pelos Estados Unidos, que contudo se comprometeram a não recorrer à força para não colocarem em causa o armistício em vigor. Contudo, o acordo revelou-se bastante precário, e com o surgimento de atividades de rebeldes comunistas no Vietname do Sul os Estados Unidos intervieram, dando origem à Guerra do Vietname.
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