Guerra da Restauração

Após a restauração da independência nacional, em 1640, com o afastamento dos representantes da administração filipina e a tomada do poder por D. João IV, a primeira preocupação do novo rei e dos seus apoiantes foi, naturalmente, consolidar o poder alcançado. Essa consolidação passava por iniciativas em vários domínios. Na ordem interna, D. João IV obteve legitimidade formal sendo reconhecido e prestando juramento perante as Cortes de Lisboa, logo em janeiro de 1641. No plano diplomático, o envio de embaixadores a várias capitais europeias visou obter o apoio de outros monarcas.
Contudo, o principal problema era de natureza militar, pois temia-se, e acertadamente, ataques de Espanha. O governo do reino precaveu-se, preparando exércitos e dispondo os meios para custear o esforço de guerra. Os meios de defesa ter-se-iam certamente mostrado escassos se os espanhóis atacassem de imediato, mas a Espanha estava envolvida na Guerra dos Trinta Anos, que acabou em 1648, e apostou depois em intervenções armadas noutros pontos, de maior importância estratégica para os seus interesses que Portugal.
Desta forma, começou por assistir-se a campanhas esporádicas e inconsequentes, que a resistência portuguesa enfrentou sem grandes dificuldades. A primeira investida séria dos espanhóis deu-se apenas em 1663, já no reinado de D. Afonso VI, tendo Portugal perdido então as praças de Évora e Alcácer do Sal. O conflito desenvolveu-se de forma descontínua, com arremetidas irregulares, e de uma maneira geral pendeu a favor dos portugueses, que venceram uma série de recontros importantes, com destaque para a Batalha do Ameixial, em 1663, a Batalha de Castelo Rodrigo, em 1664, e a Batalha de Montes Claros, em 1665.
A guerra terminou apenas em 1668, com a assinatura de um tratado de paz, em Lisboa, a 13 de fevereiro. Nos termos desse tratado, a Espanha reconheceu definitivamente a independência de Portugal.
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