Guerra de Marrocos

No início do século XX Marrocos envolveu-se em conflitos armados com a França e a Inglaterra. A primeira crise aconteceu entre 1905 e 1906, numa altura em que Marrocos era um sultanato decadente cobiçado pela França e pela Espanha. A Alemanha, por seu lado, decidiu colaborar no processo de independência de Marrocos. Guilherme II, a 31 de março de 1905, desembarcou no porto de Tânger e declarou a independência de Marrocos, pensando que iria conseguir destruir as pretensões francesas para esta região. O primeiro-ministro francês Maurice Rouvier desejava um acordo com a Alemanha, enquanto que o ministro dos Negócios Estrangeiros Theóphile Delcasse pensava na resistência. A Alemanha preparava então uma conferência internacional em Marrocos para reafirmar a sua independência e a derrota da França nesta questão. Esta acabou por acontecer em Algeciras, Espanha, em 1906, onde foi acordado manter-se a sua independência, mas não como os alemães pretendiam, mantendo também as concessões francesas relativas a bancos e à polícia.
A segunda crise rebentou em Marrocos em 1911, quando os franceses enviaram tropas para Fez, para ajudar o sultão vitimado por uma revolta tribal. A Alemanha interpretou este ato como sendo uma tentativa de tomar o país e exigiu da França uma compensação em troca da aceitação de transformar Marrocos num protetorado. Para vincar as suas exigências, a Alemanha enviou o Panter, um navio de guerra, para Agadir a 1 de julho de 1911. Os ingleses decidiram então entrar no conflito ao lado dos franceses. E a 21 de julho de 1911 David Lloyd George, num discurso na Mansion House, criticou as exigências dos alemães. Durante o verão a Inglaterra iniciou os preparativos para a guerra, mas uma crise financeira alemã ocorrida no outono viria a afastar a Alemanha da guerra, facto que conduziu a um compromisso franco-germano, pelo qual a França mantinha o seu protetorado mas concedia à Alemanha algumas parcelas do território do Congo francês.

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