Guerra dos Farrapos

A Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha decorreu de 1835 a 1845 no Brasil na Província de Rio Grande do Sul, alastrando para a Província de Santa Catarina. Foi um conflito que opôs os rios-grandenses ao governo do Rio de Janeiro. O movimento foi liderado por Bento Manuel Ribeiro e Bento Gonçalves e os seus apoiantes ficaram conhecidos por farroupilhas ou farrapos. Os seus oponentes eram os caramurus. A proximidade com a fronteira levou a que o movimento estabelecesse alianças políticas e mantivesse relações económicas com a região do Rio da Prata.
Devido à sua situação limítrofe, o Rio Grande do Sul era uma região fortemente militarizada desde o século XVII. O seu papel foi decisivo nas guerras da independência, mas como não houve uma evolução na situação político-económica da Província o descontentamento era generalizado. A economia do Rio Grande do Sul era suportada pela produção do charque (carne salgada, seca), que formava a alimentação dos escravos. O charque era vendido exclusivamente no mercado interno, ficando deste modo o Rio Grande do Sul à margem das transações internacionais. Mais ainda, o charque rio-grandense suportava mais impostos do que o charque proveniente da Argentina ou do Uruguai, o que conduzia a uma posição desfavorável no mercado.
O descontentamento atingiu o limite, em 1834, quando um novo imposto sobre o charque foi lançado. Os farroupilhas liderados por Bento Gonçalves depuseram o governador de Porto Alegre a 20 de setembro de 1835 e proclamaram a República Rio- Grande a 11 de setembro de 1836. Como não conseguiram manter as posições na capital Porto Alegre, estabeleceram-se na pequena cidade de Piratini, daí ter ficado também conhecida como República Piratini. A República tinha uma constituição, um hino e uma bandeira. Os apoiantes da República Rio-Grandense eram compostos por fazendeiros e seus dependentes incluindo os escravos. Em 1839, o movimento alastra à Província de Santa Catarina e liderados pelo revolucionário italiano Giuseppi Garibaldi, os farroupilhas proclamaram, em julho a República da Juliana.
Diversas ações militares tiveram lugar com o objetivo de derrotar os rebeldes, mas sem progressos de maior. A principal força que mantinha os farroupilhas no terreno advinham dos apoios que recebiam da vizinha República Oriental do Uruguai. O governo imperial começava a temer pela unidade nacional e em 1840 propõe uma amnistia aos rebeldes. A proposta é recusada. Dois anos mais tarde, Luís Alves de Lima e Silva, Barão de Caxias, consegue um acordo pela via diplomática. Depois de dez anos de luta, a 28 de fevereiro de 1845 foi assinada a paz de Ponche Verde. As condições propostas contemplavam a amnistia dos rebeldes, a incorporação dos soldados revoltosos no exército, e um imposto de 25% sobre o charque importado. Os farroupilhas ganhavam ainda o direito de escolher o presidente da Província do Rio Grande do Sul. A escolha recaiu em Luís Alves Lima e Silva que pelo seu papel na resolução da crise ganhara o título de Conde de Caxias.
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