Guerras do Ópio

Com o fim das guerras napoleónicas, as atividades comerciais europeias voltaram-se para o Extremo Oriente, traduzindo-se numa pressão constante sobre a China, que mantinha fortes restrições sobre o comércio com o estrangeiro. Cantão era o único porto aberto. Veio a representar o choque entre a China e o Ocidente durante as chamadas Guerras do Ópio.
O fim do longo monopólio da Companhia das Índias Orientais britânica, em 1834, levou ao aumento da competição das firmas e comerciantes ingleses em Cantão, onde os ocidentais praticavam em grande escala o contrabando de ópio. Foi em Cantão que, no decurso de uma cerimónia ritual, o vice-rei Lin Tso-sin lançou ao mar caixas de cinzas de ópio inglês confiscadas na cidade. Essa cerimónia esteve na origem imediata da primeira Guerra do Ópio (1840-1842). A guerra terminou com a derrota chinesa e a assinatura do Tratado de Nanquim, em agosto de 1842. A China aceitou suprimir o sistema de Co-Hong (companhia governamental chinesa) e abrir cinco portos ao comércio estrangeiro. A ilha de Hong Kong foi proclamada colónia britânica.
Apesar do acordo com a China, a situação nos novos portos abertos continuou a não satisfazer as ambições dos estrangeiros. O comércio não progredia tão rapidamente como o pretendido, uma vez que os mandarins locais se atrasavam na resolução dos assuntos que iam surgindo. Assim, a situação não era conforme com os interesses dos ocidentais.
A segunda Guerra do Ópio travou-se entre 1856 e 1860. O Reino Unido empreendeu uma nova ofensiva, apoiada desta vez pela França. Os aliados operaram em redor de Cantão, de onde o vice-rei prosseguia com uma política de intransigência. Mais uma vez, a China saiu derrotada e onze novos portos foram abertos ao comércio ocidental. A China criou um Ministério dos Negócios Estrangeiros, permitiu que se instalassem legações ocidentais na capital e renunciou ao termo «bárbaro», usado nos documentos para denominar os ocidentais.
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