Guiné Equatorial

Geografia
Antiga colónia espanhola, a República da Guiné Equatorial situa-se na costa ocidental africana, sendo formada por duas zonas: uma área continental denominada Rio Muni, de forma retangular, com fronteira a norte com os Camarões e a leste e a sul com o Gabão e um grupo de cinco ilhas - Bioco, Corisco, Grande Elobey, Pequena Elobey e Ano Bom. Possui, no total, uma área de 28 051 km2. As principais cidades são Malabo, a capital e situada na ilha de Bioco, com 101 200 habitantes (2004), Bata, a capital administrativa da parte continental, com 82 300 habitantes, Ela-Nguema (6200 hab.) e Campo Yaunde (5200 hab.).
Numa perspetiva oeste-este, o relevo da região do Rio Muni apresenta-se em forma de escada. A principal ilha, Bioco, é de origem vulcânica, como se verifica pela presença de três vulcões extintos, possuindo, por isso, um solo extremamente rico e uma topografia bastante acidentada, o que dificulta a acessibilidade marítima, sendo Malabo o único porto de relativa viabilidade.

Clima
O facto de estar a poucos quilómetros do equador influencia o clima da Guiné Equatorial, caracterizado por uma permanente nebulosidade, altas temperaturas e elevados níveis de precipitação, com maior incidência na costa. É de salientar, no entanto, que existem épocas secas. No continente, essa época regista-se nos meses de julho e agosto, enquanto na Ilha de Bioco tal acontece entre os meses de novembro e março.

Economia
A agricultura e a exploração florestal são os principais setores da economia. Os principais produtos agrícolas são o cacau, o café e a banana. A madeira é obtida, sobretudo, nas florestas da parte continental.
A indústria é escassa, estando limitada ao processamento de cacau e café. A atividade piscatória está a ser desenvolvida pela Espanha, pela Nigéria e por Marrocos, enquanto a exploração mineira é praticamente nula, apesar de já terem sido encontradas jazidas de petróleo e de se considerar existir quantidades exploráveis de ouro, ferro, manganésio e urânio. Os principais parceiros comerciais da Guiné Equatorial são os Camarões, os Estados Unidos da América, a Espanha e a França.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 1,5.

População
Este país tem 540 109 habitantes (2006). As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 35,59%o e 15,06%o. A esperança média de vida é de 49,54 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,664 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) não foi atribuído (2001).

História
A história da Guiné Equatorial remonta ao ano de 1471, quando o navegador português Fernão Pó descobriu a ilha de Bioco (que por longo tempo foi conhecida pelo nome do descobridor). A ilha de Ano Bom foi descoberta num dia de Ano Novo, entre os anos de 1472 e 1475. O Tratado de Tordesilhas concedeu a Portugal o direito exclusivo de exploração em África, logo, por inerência, na Guiné Equatorial. No entanto, em 1778, Portugal cedeu a Espanha as ilhas de Ano Bom e Fernão Pó, bem como o território continental entre os rios Ogooué e Níger. Contudo, uma epidemia de febre amarela dizimou por completo os espanhóis aí instalados, fazendo com que a Espanha, em 1781, retirasse das ilhas, não chegando, sequer, a explorar o continente.
Com a abolição da escravatura, a Inglaterra, que considerava a ilha de Fernão Pó um ponto estratégico no controlo das rotas de escravos do golfo da Guiné, iniciou, na segunda década do século XIX, uma ocupação pacífica (e permitida pela Espanha) do atual território da Guiné Equatorial, primeiro nas suas ilhas, depois no continente. No entanto, em 1843 os Ingleses venderam todas as suas propriedades aos missionários batistas, que veriam, no ano a seguir, os Espanhóis empenhados em efetivar a ocupação, sobretudo da ilha de Fernão Pó. Em 1858, os missionários foram expulsos e só em 1877 ocorreu a primeira exploração espanhola no território continental. A Guiné espanhola viria a tornar-se local penitenciário para os cubanos em 1879, assumindo-se como a última possessão espanhola em África no ano de 1898, embora só após a Guerra Civil Espanhola (1936-39) tenha sido alvo de maior atenção por parte da Espanha. Mais tarde, em 1959, a região foi dividida em duas províncias, cada uma delas com um governador civil, sendo dados aos naturais direitos civis iguais aos dos espanhóis. Em 1963, através de um plebiscito, a autonomia económica e administrativa foi concedida às duas províncias, que assumiram o nome de Guiné Equatorial.
O processo de independência foi consideravelmente rápido, tendo ganho forma no fim de 1967. No início do ano seguinte, a Espanha suspendeu o controlo político e, por ação da Organização de Unidade Africana, realizou-se um referendo a 11 de agosto de 1968 que aprovou a nova Constituição. Em setembro realizaram-se eleições parlamentares e a 12 de outubro desse ano foi proclamada a independência.
As eleições presidenciais de 1971 levaram ao poder Francisco Macías Nguema, que, fazendo aprovar em 1972 uma nova Constituição que lhe garantia poderes políticos absolutos, governou até 1979, altura em que o seu neto, o tenente-coronel Teodoro Mbasogo, derrubou o regime. Com uma Constituição menos opressiva, instituída em 1982, o país começou a abrir-se a investimentos estrangeiros, assegurando perspetivas de desenvolvimento económico e social. Contudo, as eleições de 1993, ganhas pelo partido no Poder, o Partido Democrático da Guiné Equatorial, foram contestadas pelos observadores internacionais, incluindo os governos dos Estados Unidos da América e da Espanha, levando ao corte da ajuda externa por parte destes países, o que constituiu um severo revés para a política de Mbasogo.
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