Hannah Arendt

Escritora e política norte-americana, Johanna Arendt, ou Hannah Arendt, nasceu a 14 de outubro de 1906, em Hanôver, na Prússia Oriental. Oriunda de uma família de etnia judaica com passado em Königsberg, morreu-lhe o pai, um engenheiro de nome Paul Arendt, quando era ainda muito nova, pelo que a mãe, Martha Cohn Arendt, uma mulher com gosto pelas viagens, tornou a casar. Hannah passou então por um período difícil de tentativa de adaptação ao padrasto e às suas duas filhas.
Tendo conseguido o seu bacharelato pela Universidade de Königsberg, Hannah Arendt prosseguiu os seus estudos na pequena cidade universitária de Marburgo, onde veio a conhecer Martin Heidegger, chegando a ter uma aventura amorosa com o filósofo. Heidegger era dezassete anos mais velho que Hannah, casado e pai de dois filhos mas, mesmo assim, a sua relação estender-se-ia até depois de 1926, quando Hannah se mudou para Heidelberga para terminar os seus estudos com Karl Jaspers.
Em 1929 apresentou a sua tese de doutoramento, dedicada ao pensamento de Santo Agostinho e casou com Günther Stern, um jornalista e ex-estudante de Filosofia, com quem foi viver para a cidade de Frankfurt. Com a chegada ao poder de Adolf Hitler em 1933, Hannah Arendt foi detida e interrogada, mas assim que recuperou a sua liberdade, decidiu tomar refúgio em Paris na companhia do marido. Juntou-se então à Juventude Aliyah, uma organização vocacionada para o treino de estudantes que queriam partir para a Terra Santa.
Divorciou-se de Stern em 1937, e em 1940 tornou a casar, desta vez com Heinrich Blücher, licenciado em História da Arte. Em 1941, após a invasão da França pelas tropas alemãs, Hannah e o marido refugiaram-se nos Estados Unidos da América, onde foram forçados a um recomeço de vida austero, já que Hannah teve que aprender Inglês.
Começou a escrever e a frequentar as tertúlias da Partisan Review e, três anos após a sua chegada aos Estados Unidos, conseguiu uma posição como diretora de investigação da Conferência de Relações Judaicas em Nova Iorque, até 1946. Prosseguiu depois como editora principal dos livreiros Schocken até 1948 e foi diretora da Reconstrução Cultural Judaica de 1949 a 1952.
Em 1950 tomou a cidadania norte-americana tendo, nesse mesmo ano, viajado até à Europa, onde reviu Heidegger, com quem retomou o contacto e correspondência. No ano seguinte, publicou The Origins Of Totalitarianism / The Burden Of Our Time (1951, As Origens do Totalitarismo / O Fardo do Nosso Tempo), em que procedia a um estudo do Nazismo e do Estalinismo, relacionando estas doutrinas com o expansionismo e antissemitismo do século XIX.
Em 1958 publicou a obra tida com mais importante na sua carreira, The Human Condition (A Condição Humana), em que retomava a conceção de Heidegger sobre o Ser, e a continuava no Fazer, analisando a essência do trabalho e da labuta e afirmando a ação humana como único meio para a obtenção da paz contemplativa.
Hannah Arendt foi nomeada professora catedrática na Universidade de Princeton, tendo sido a primeira mulher a desempenhar semelhantes funções na Universidade de Chicago em 1963 e, a partir de 1967, passou a lecionar na New School for Social Research de Nova Iorque. Foi membro da Academia das Artes e Ciências Norte-Americana, da Academia Alemã das Línguas, Poesia e Ficção, e foi galardoada com diversos prémios, como o Lessing, o Freud e o Sonning.
Faleceu a 4 de dezembro de 1975, em Nova Iorque.
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