Harald zur Hausen

Cientista alemão, Harald zur Hausen nasceu a 11 de março de 1936, em Gelsenkirchen. Estudou Medicina nas universidades de Bona (1955-1957), Hamburgo (1957-1958) e Düsseldorf (1958-1960). Trabalhou como investigador no Instituto de Higiene e Microbiologia da Universidade de Düsseldorf, de 1962 a 1965, e no Laboratório de Virologia do Hospital Infantil de Filadélfia, de 1966 a 1969. Em 1968 deu aulas como professor assistente na Universidade da Pensilvânia, de 1969 a 1972 foi cientista no Instituto de Virologia na Universidade de Würzburg e nos 11 anos seguintes desempenhou as funções de presidente e professor no Instituto de Virologia da Universidade de Erlangen-Nuremberga (de 1972 a 1977) e no Instituto de Virologia da Universidade de Friburgo (de 1977 a 1983). De 1983 a 2003 desempenhou as funções de diretor científico do Centro Alemão de Pesquisa Oncológica.
No decorrer do seu trabalho de pesquisa no Instituto de Virologia da Universidade de Friburgo, zur Hausen (juntamente com o seu grupo de investigação) colocou a hipótese de o papiloma vírus humano (HPV – Human papillomavirus) ter um papel importante na causa do cancro do colo do útero. Depois de alguns anos de intenso trabalho, zur Hausen descobriu em 1983 e 1984, respetivamente, que o HPV 16 e o HPV 18 estavam presentes no cancro do colo útero. Estavam assim identificados os vírus responsáveis pela maior parte dos cancros do colo do útero. A descoberta casou muita polémica no mundo científico e zur Hausen foi criticado por diversos cientistas. No entanto, continuou a lutar para provar a validade da sua descoberta. Ele concluiu que o ADN (ácido desoxirribonucleico) do papiloma vírus humano pode ser detetado através de buscas específicas a esse mesmo ADN e que o HPV é uma família de vírus heterogénea, ou seja, apenas alguns tipos de HPV causam o cancro do colo do útero. Esta descoberta foi crucial, pois este é o segundo tipo de cancro que mais atinge as mulheres e desta forma foi possível o desenvolvimento de uma vacina preventiva que começou a ser comercializada em 2006.
O trabalho de Harald zur Hausen tem sido reconhecido internacionalmente, através da atribuição de dezenas de prémios, dos quais se destacam: o Federation of the European Cancer Societies Clinical Research Award, o Thomas Parram Price of the American Society of Sexually Transmitted Diseases, o San Marino Prize for Medicine, a Johann-Georg Zimmermann Medal for Distinguished Research in Cancer Prevention e o Gairdner Foundation International Award. Possui sete doutoramentos honoris causa e é membro de diversas organizações e academias tais como a German Academy of Natural Sciences (LEOPOLDINA), a Human Genome Organization (HUGO), a Deutsche Gesellschaft für Virologie, a Academy of Cancer Immunology, entre outras.
Em 2008, zur Hausen foi distinguido com o Prémio Nobel da Medicina (que dividiu com os cientistas franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montaigner) pelo seu trabalho de investigação na área da oncologia, mais precisamente pela descoberta do papiloma vírus humano que, de acordo com o Comité Nobel, “levou à caracterização do carcinoma induzido pelo HPV e ao desenvolvimento de vacinas profiláticas contra a infeção pelo HPV”.
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