Heracleópolis Magna

Conhecida igualmente como Henen-nesw ("Cidade da Criança Real"), Hnes ou Ihnasya el-Medina (denominação atual), a sua origem remontou ao terceiro milénio antes da era cristã e situava-se no Norte do Egito, a Sul de Faium. Foi capital do XX nomo do Alto Egito e sabe-se que ali se cultuava primitivamente o deus Herishef, ao qual foi erigido um templo provavelmente no Império Médio (entre 2050 e 1650 a. C.), que sofreu alterações ao longo dos tempos, a mais significativa das quais talvez tenha sido a aposição de uma sala hipóstila durante o reinado de Ramsés II. Na época ptolomaica (entre 332 e 30 a. C.) adquiriu a denominação de Heracleópolis Magna, uma vez que o culto passou a centrar-se no herói Hércules. Esta cidade, que se sabe não corresponder exatamente à localização da atual Ihnasya el-Medina, foi capital durante as Dinastias IX e X, aproximadamente entre os anos 2155 e 2050 a. C. A razão de ter sido capital deriva do facto de em 2160 a. C. Kheti, o governador ter passado a ser rei dos dois Egiptos, inaugurando o chamado "período heracleopolitano". Foi apenas com Mentuhotep II, em 2040 a. C., que se deu o declínio político de Heracleópolis Magna, em detrimento de Tebas. Heracleópolis foi igualmente berço do primeiro faraó da XXII Dinastia, Chechonk I, o que conferiu um poder renovado à cidade. Na época do Egito Copta, nos primeiros séculos da era cristã, esta seria também sede episcopal, visto que era um importante centro do cristianismo copta. Decadente a partir da invasão árabe (desde do século VII), ressuscitou para o mundo moderno quando as suas ruínas foram descobertas durante as campanhas napoleónicas, nos finais do século XVIII, princípios do seguinte.
Além da necrópole de Sedment el-Gebel, onde se encontram túmulos ptolemaicos e romanos na rocha, datados de entre os anos 332 a. C. e 395 d. C., e dois cemitérios, um do Primeiro Período Intermediário e outro do Terceiro, foram ainda encontradas ruínas de três templos.
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