hereditarismo

Alguns defensores desta escola surgida no século XIX argumentavam que certas raças, assim como certos animais, eram mais adaptáveis a certos locais geográficos do que a outros. Nesta perspetiva muitos europeus acreditavam que o seu tipo racial não era adequado para viver em regiões tropicais ou no Novo Mundo mas estas crenças não influenciaram a colonização dos novos territórios.
Até à época dos Descobrimentos, o mundo ocidental com tradições religiosas baseadas no Antigo Testamento acreditava que todos os homens e mulheres eram descendentes de Adão e Eva, sendo as diferenças entre os seres humanos basicamente um produto do meio em que se desenvolviam. No século XVI, Paracelso defendeu uma origem diversa da da Bíblia para os povos que eram encontrados fora dos limites do mundo conhecido de então. Mais tarde, no início do século XIX, George Cuvier isolou três subespécies humanas - mongóis, caucasianos e etíopes - que por sua vez se subdividem segundo critérios de aparência física, língua e localização. Cuvier defendia uma hierarquia entre os vários Homo sapiens que possuíam um certo tipo de cultura e mentalidade segundo a sua aparência física. As ideias defendidas por Cuvier deram origem a uma escola internacional de estudo dos tipos humanos, hoje chamada Racismo Científico e da qual faziam parte os americanos Josiah Nott e George Gliddon, os ingleses Charles Hamilton Smith e Robert Knox, o francês Arthur de Gobineau e o alemão Karl Vogt. O Racismo Científico determinou que os vários tipos humanos mantinham e transmitiam as suas características independentemente do local onde são criados e de que certas raças de humanos e de animais eram mais adequadas a certas regiões geográficas: os negros e os macacos em África ou os aborígenes e os cangurus na Austrália.
A teoria da seleção natural de Darwin juntou as teorias que defendiam a diversidade dos seres humanos resultante dos diversos meios ambientes e também as ideias que viam na hereditariedade uma forma de manter e transmitir as características distintivas. A ciência genética veio mais tarde diminuir a importância tanto das teorias ambientalistas como das hereditárias.

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