Hermínia Silva

Atriz, fadista e empresária, Hermínia Silva Leite Guerreiro, mais conhecida pelo nome artístico de Hermínia Silva, nasceu a 2 de outubro de 1913, em Lisboa. Aos 10 anos já trabalhava, como aprendiza de alfaiate. Precocemente, Hermínia revelou os seus dotes musicais, iniciando a sua carreira como amadora dramática numa modesta sociedade de recreio, situada no seu bairro lisboeta, o Castelo.
A cantora, descoberta por um empresário, foi então convidada a atuar no Parque Mayer, na altura o maior berço da canção ligeira nacional. Dada a sua juventude e inexperiência, é colocada a cantar nas revistas de segunda linha dos teatros menos importantes do Parque. Aos 13 anos atuou no Valente das Farturas, onde interpretou um tema que fez grande sucesso na época "Sou miúda mas que importa", e na Esplanada Egípcia.
Em 1929 e dada a sua crescente popularidade, Hermínia ingressou no elenco das revistas de maior produção, participando desde então em grande número de operetas e outras peças populares, para além de cinco filmes. As companhias de teatro ligeiro disputavam-na, oferecendo-lhe vantajosos contratos, pois o seu nome atraía o público aos espetáculos. Cabeça de cartaz por diversas vezes, Hermínia Silva regressou, em 1964, à cena no Teatro ABC, com a revista Ai, Venham Vê-las. Em 1971, a fadista efetua uma digressão mundial, a Madrid (Espanha), ao Brasil, aos Estados Unidos da América e ao Canadá, países onde a comunidade emigrante portuguesa tinha uma dimensão considerável.
A frescura jovial e os dotes de improvisadora, que fez de cada rábula interpretada por Hermínia Silva uma verdadeira criação em direto, levaram-na a representar no teatro figuras burlescas, obtendo o 1.º Prémio Nacional do Teatro Ligeiro pela sua atuação na revista Sempre em Pé.
Hermínia Silva fundou, no final dos anos 70, o "Solar da Hermínia", um retiro fadista no Bairro Alto, em Lisboa, e foi proprietária do restaurante típico "Pôr do Sol", em Benavente.
Em todas as suas realizações, Hermínia impôs o seu estilo peculiar de representar, mandando "o guião às malvas", como ela própria dizia, e fazendo do improviso uma arma constante. A sua personalidade irreverente e determinada - Hermínia atuou até ao ano de 1981 - foi determinante no modo como interpretou o fado: irónico, pitoresco, repleto de chalaças e de uma gíria muito própria, a que não faltou também alguma mordacidade contra as gentes e os costumes da era salazarista. Hermínia Silva gravou, para além de numerosos fados, paródias como Antígona, uma recriação livre do clássico grego de Sófocles, ou O Yé-yé da Hermínia, entre outras.
Considerada a mais castiça das fadistas, Hermínia Silva recebeu em 1980, em reconhecimento pela sua carreira, a medalha de ouro da cidade de Lisboa. Como discografia essencial destacam-se História do Fado (Lisboa, 1953-1957) e o Melhor de Hermínia Silva (Lisboa, 1990).
Hermínia Silva morreu em 1993, em Lisboa.
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