heterónimo

Na "Carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos heterónimos" (Textos de Crítica e Intervenção, Lisboa, Ática, 1980, pp. 202-208), Fernando Pessoa define os heterónimos como "várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real", fixadas mentalmente em "figura, movimentos, carácter e história", nascidas de um "poder de despersonalização" que permitiu a irrupção em si de novos indivíduos. O heterónimo é um autor ficcional, dotado de uma autonomia que inclui uma identidade, um percurso biográfico, relações interpessoais, um estilo próprio. Distingue-se do pseudónimo, que implica apenas a assinatura de uma obra com um nome criado pelo autor. Exemplos de heterónimos são os de Fradique Mendes, de Eça de Queirós, ou Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa.
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