High Tech

O termo High Tech foi usado, desde os inícios da década de 70, para identificar um movimento cultural então em desenvolvimento que procurava utilizar tecnologias alternativas, sendo frequentemente imbuída de conotações negativas. Mais tarde foi utilizado, no campo da arquitetura, para designar uma corrente (erradamente confundida com um estilo) que teve expressão particularmente significativa em Inglaterra e nos Estados Unidos da América.
Caracteriza-se pela utilização em grande escala de superfícies em vidro e de estruturas metálicas (de ferro, aço inox ou alumínio), pelo recurso à tecnologia industrial mais desenvolvida, pela flexibilidade funcional e pelo pragmatismo construtivo e simplicidade formal, e encontra as suas raízes no trabalho do francês Jean Prouvé, na Arquitetura do Ferro de oitocentos, nos grupos metabolista e Archigram. Um dos arquitetos pioneiros desta corrente foi o inglês James Stirling, com o projeto para o edifício de engenharia da Universidade de Leicester (1959-1963).
A arquitetura High Tech traduz uma visão otimista do mundo capitalista e industrial, faz referência às conquistas da tecnologia e à máquina, não enquanto metáfora mas enquanto imagem que enforma as novas arquiteturas. O edifício High Tech pretende reduzir a carga formalista para representar, de forma aparentemente neutra, o mundo da alta tecnologia. Para além da imagem da máquina, que já Le Corbusier referira na década de vinte, simboliza a ideia de rede e de conexões, de transportes.
Dentro desta corrente é possível diferenciar várias orientações estéticas. Uma delas explora a estrutura portante enquanto fundamento do trabalho criativo e da génese formal dos edifícios. Dentro desta tendência salienta-se os trabalhos de Norman Foster, como o pioneiro Sainsbury Center for the Visual Arts, o Willis Faber & Dumas Building em Ipswich (1975) ou o emblemático Hongkong and Shanghai Banking, projetado e construído entre 1979 e 1986. Richard Rogers procura expor os sistemas de circulação e as instalações técnicas dos edifícios, tendo no edifício Lloyds de Londres (1978-1986) um dos seus trabalhos mais interessantes.
Entre estas duas possibilidades conceptuais, o Centro National de Arte George Pompidou, construído em Paris entre 1971 e 1977 por Richard Rogers e Renzo Piano exibe no exterior, de forma radical, a pujante estrutura em ferro assim como as tubagens das instalações, pintadas com cores fortes.
De entre os arquitetos que integraram esta corrente salientaram-se igualmente Nicholas Grimshaw, Michael Hopkins, David Chiperfield e Allsop & Störmer.
Como referenciar: High Tech in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-12-01 15:31:48]. Disponível na Internet: