hipálage (retórica)

A hipálage é uma figura de retórica que consiste na comunicação de uma qualidade ou propriedade pertencente a um substantivo para outro substantivo que se encontre muito próximo na frase. A hipálage é uma figura típica do Impressionismo aplicado à literatura (nomeadamente no Simbolismo), por ser capaz de transmitir impressões sensoriais mescladas, em difusa interseção.

No exemplo que se segue, Eça de Queirós transfere a propriedade da correção, do rigor que caracteriza Craft (mais à frente, Eça caracteriza Craft como "imperturbável gentleman correto") para o vestuário que o próprio Craft trazia:

"(...) Carlos desceu também do coupé, achou-se em face de um homem baixo, loiro, de pele rosada e fresca, e aparência fria. Sob um fraque correto percebia-se-lhe uma musculatura de atleta." (Eça de Queirós, Os Maias, Lisboa: Livros do Brasil: 153)

Da mesma forma, na descrição de Alencar, que, nesta obra, é símbolo do Romantismo ultrapassado, verifica-se a transferência desse simbolismo para os seus bigodes, também exagerados, sentimentais, à maneira dos heróis do romantismo:

"E apareceu um indivíduo muito alto, todo abotoado numa sobrecasaca preta, com uma face escaveirada, olhos encovados, e sob o nariz aquilino, longos, espessos, românticos bigodes grisalhos (...)"
(Eça de Queirós, Os Maias, Lisboa: Livros do Brasil: 159)
Como referenciar: hipálage (retórica) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-16 10:59:12]. Disponível na Internet: