hipocondria

A hipocondria é um medo imaginário ou uma preocupação excessiva de sofrer de uma lesão ou doença que não existe na realidade. O sujeito substitui o investimento normal no mundo exterior por um sobreinvestimento narcísico. O corpo é sentido como um inimigo e o sujeito vive uma alucinação com delírio corporal.
Há uma perda do juízo da realidade que frequentemente convence os médicos, levando-os a exames complementares desnecessários em busca de alguma doença. O sujeito caminha de doença para doença, de órgão para órgão, como nova vítima de um inimigo implacável. Há uma mínima relação com a realidade. Na hipocondria, o corpo sofre uma dupla clivagem; numa faz parte do sujeito, mas ou o domina ou é por ele dominado, e noutra divide-se num corpo desamparado, submetido às torturas e ao sofrimento de uma dor que o devora. Existe um superego introjectado muito forte. Pode-se dizer que o aspeto corporal da psicose seja a hipocondria, já que o sujeito fica aprisionado na sua dor e nada mais para além dela tem interesse. Sami-Ali explica a hipocondria como o delírio no corpo, a angústia corporal. O sujeito vive em função do seu corpo e das sensações vividas por este.
A característica essencial deste transtorno é uma preocupação persistente com a presença eventual de um ou de vários transtornos orgânicos graves e progressivos. Os pacientes com hipocondria manifestam queixas somáticas persistentes ou uma preocupação duradoura com a sua saúde física. Sensações e sinais físicos normais ou triviais são frequentemente interpretados pelo sujeito como anormais ou perturbadores. A atenção do sujeito concentra-se em geral em um ou dois órgãos ou sistemas. Existe frequentemente associada a depressão e ansiedade, que podem justificar um diagnóstico suplementar. É uma interpretação irrealista de sintomas e sensações físicas, levando a uma preocupação com o medo ou crença do indivíduo ter uma doença séria, embora nenhuma doença médica ou exames laboratoriais expliquem os sinais ou sensações físicas.
Tem uma origem psicodinâmica, onde existem desejos agressivos e hostis em relação aos outros que são transferidos para queixas físicas. Também tem sido vista como uma defesa contra a culpa, uma expressão de baixa autoestima e um sinal de preocupação excessiva com a própria pessoa.
Segundo Freud, existe uma retirada de todos os investimentos psíquicos do mundo externo para o ego, tornando possível o reconhecimento precoce das modificações corporais que, normalmente, permaneceriam inobservadas.

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