histeria

O termo tem origens do grego hystéra, que significa "útero", e é originário de uma teoria em que o útero andava à deriva pelo corpo e a histeria seria uma doença exclusivamente feminina e atribuída a uma disfunção do útero na mulher. De facto, a histeria é uma doença mais comum nas mulheres mas pode-se manifestar igualmente nos homens.
Jean Charcot, um neurologista francês, nos finais do século XIX, usava a hipnose como forma de diagnosticar e estudar a histeria. Para ele, o problema é centrado nas manifestações físicas que a doença tem. Mais tarde, um aluno de Charcot, Pierre Janet, psicólogo, considerou as causas psicológicas como preponderantes para um desenvolvimento de um caso de histeria.
Sigmund Freud, em colaboração com Breuer, iniciou uma investigação sobre os mecanismos psíquicos da histeria e concluiu que esta era uma psiconeurose em que o paciente reprimia memórias e lembranças passadas que, para ele, seriam de grande intensidade emocional e, nestes casos, a ansiedade sentida seria "convertida" ao nível corporal. As diversas manifestações corporais que podem ser sentidas pelo doente podem-se dividir em distúrbios sensoriais e distúrbios motores:

Distúrbios sensoriais:
- podem afetar os sentidos da visão, audição, paladar e olfato;
- podem afetar a hipersensibilidade total;
- podem sentir dores fortes em alguma zona do corpo, sem que haja qualquer causa orgânica.

Distúrbios motores:
- paralisia total;
- tremores e convulsões;
- afonia, náuseas, vómitos, etc.

Do ponto de vista psicológico, a histeria é uma sensação de "como se", isto é, a pessoa histérica transmite-nos uma representação de falta de sinceridade e, por isso, é normalmente classificada de fingida. Tem uma personalidade teatral, está sempre a representar, os afetos parecem muito vivos, mas no fundo não se implica muito naquilo que faz - é ator e não autor. Os afetos autênticos são quase inexistentes, as relações com as pessoas são frágeis e pouco profundas. Só aparentemente parecem intensas.
A histeria, do ponto de vista da psicanálise, tem uma certa conotação com a sexualidade. São pessoas que normalmente erotizam as relações sociais, constroem uma fantasia de um romance com alguém, mas ao mesmo tempo existe um certo temor da sexualidade, que é vivida de uma forma preocupante.
Há uma dissociação dos afetos e as coisas são sentidas como se não existissem. Os afetos são excluídos do plano da consciência e reaparecem sob a forma de sintoma corporal.
Na neurose histérica está presente uma enorme falta de afeto, não porque essa falta de afeto seja verdadeira, mas porque é sentida como tal. São incapazes de conter o afeto que lhes dão e este é sempre visto como insuficiente; sofrem de carência afetiva aparente. Como se todo o afeto caísse num saco roto, na verdade o seu ego não tem suficiente maturidade para conter todo o afeto que recebem.
Há sempre uma componente demarcada de depressão porque não se sentem suficientemente amadas, pelo que existe uma tristeza subjacente. Apesar desta depressão, há sempre alguém de quem gostam muito e em quem investem, como se fosse um protegido investido afetivamente. Esse "protegido" funciona como um apoio ao ego do histérico, impedindo que este se desorganize.
Muito do comportamento colorido do histérico serve como mecanismo de defesa contra este núcleo depressivo. Para colmatar e compensar a depressão, tentam "representar" a depressão que vivem, já que vivem sempre a representar.
Para Freud, a histeria caracteriza-se ao nível de dois grupos de sintomas:

- Sintomas de conversão somática - são considerados os casos mais comuns, quando há uma deslocação da ansiedade sentida, num sintoma corporal. Este surgimento somático reduz bastante a ansiedade e elimina quase por inteiro o conflito psíquico, ou seja, recalca o conflito e desloca-o para o corpo, somatizando-o.
- Sintomas dissociativos - o indivíduo dissocia-se em duas ou mais personalidades. Isto acontece quando o histérico está a passar por várias dificuldades; ou se sente sozinho ou deprimido e tenta resolver esse problema criando outras personalidade em que inventa grandiosidades. Nestes casos, só a real personalidade sofre, enquanto a "criada" delira um pouco, o seu todo não vive. Há uma clivagem do ego que funciona como um processo defensivo.

Existe um recurso abundante ao processo de recalcamento, onde tudo o que parece difícil e conflitual é recalcado.
Os histéricos são pessoas consideradas muito manipuladoras, o que pode ser demonstrado pelas frequentes tentativas de suicídio cujo fim é manipular terceiros.
Como referenciar: histeria in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-11-20 11:48:37]. Disponível na Internet: