História da arte

Ramo do conhecimento histórico que se dedica à investigação da evolução das artes visuais. Tradicionalmente organizadas em grandes grupos perfeitamente definidos - como a arquitetura, a pintura, a escultura e as artes aplicadas - as artes plásticas foram gradualmente alargando os seus limites por forma a incluir novos tipos de expressão como o cinema, a fotografia, a cenografia, a instalação, as artes multimédia, as artes gráficas e a performance. A esta diluição conceptual do objeto de estudo, a História da arte vem respondendo com a constante revisão dos seus próprios fundamentos metodológicos.
Integrando o campo das designadas ciências sociais e humanas, encontra apoio disciplinar em áreas próximas como a História (social, económica e política), a Filosofia (estética), a Psicologia (da perceção), a Antropologia, a Sociologia e a Geografia.
O mais antigo testemunho da atividade historiográfica ao nível da arte é o tratado enciclopédico de História Natural de Plínio, o Velho, escrito em 77 a. C., cujos livros 33 a 36 apresentam uma compilação de textos antigos gregos e romanos assim como de algumas biografias de artistas, descrições de obras de arte e alguma teorização sobre as origens e conceitos da arte. Pelo seu carácter generalista, este livro revela-se uma das mais significativas fontes escritas sobre a arte da antiguidade clássica. No século XV, em pleno renascimento, a investigação de história de arte passou a ser protagonizada por artistas, de entre os quais se salientaram o arquiteto Leon Battista Alberti (que redigiu tratados no campo da arquitetura, da pintura e da escultura) e o escultor Lorenzo Ghiberti, autor do livro "Commentaries", no qual procurou explicar o desenvolvimento da arte italiana desde o gótico final ao protorrenascimento.
Um século mais tarde, surgiu um dos marcos fundamentais da historiografia da arte, pela mão do italiano Giorgio Vasari: o livro Le vite de Più Eccellenti Architetti, Pittori et Scultori Italiani (Vidas dos Maiores Arquitetos, Pintores e Escultores Italianos, publicado em 1550 e novamente em 1568) que continha inúmeras biografias de artistas, acompanhadas pela análise das suas principais obras. Neste ensaio, Vasari estabeleceu uma classificação crítica que determinou, até ao século XVIII, uma desigual valorização e apreciação dos períodos artísticos do passado (estabalecendo o apogeu artístico na antiguidade clássica e no renascimento, identificou o gótico como uma época de declínio artístico).
A partir do século XVI, muitos autores aplicaram metodologias próximas da de Vasari, realizando trabalhos que consistiam essencialmente na compilação de biografias. Destacam-se entre estes o italiano G. P. Lomazzo com o seu Trattato dell'arte della pittura, (Tratado da Arte da Pintura, 1584), o holandês Karel van Mander com o Het Schilder-Boeck (Livro dos Pintores, 1604), o francês André Félibien, o alemão Joachin von Sandrart e o espanhol Antonio Palomino.
Durante o período romântico assistiu-se à revalorização e redescoberta de outras manifestações e períodos artísticos, como as artes orientais e egípcia, consideradas exóticas ou a revalorização do gótico e do barroco. A História da arte teve neste período um importante apoio de disiciplinas então em desenvolvimento como o Antiquarismo e a Arqueologia Clássica e Antiga.
Só nesta altura foram definidas as bases metodológicas de cariz moderno para a análise do passado, permitindo que a História de arte se tornasse uma disciplina autónoma, dotada de reconhecimento académico. Neste aspeto teve um papel determiante a ação científica do alemão Johann Joachim Winckelmann (1717-1768) de cuja obra teórica se destaca Geschichte der Kunst des Altertums (História da Arte Antiga, 1764). Winckelmann, entendendo a arte como parte integrante da cultura, procurou explicar os artefactos e os estilos pelo seu contexto social e religioso, estabalecendo assim os principios científicos da investigação em História de arte e inaugurando o protagonismo da Alemanha nesta área (que se estendeu até aos inícios do século XX). A partir desta altura generalizou-se a adoção das ideias taxinómicas e do conhecimento enciclopédico próprios das ciências exatas, acompanhada pela exaustiva publicação de documentos e de crónicas.
O século XIX foi marcado pelo aprofundamento do conhecimento do período medieval. Particular importância teve o vasto estudo formal e construtivo, de carácter arqueológico, realizado por Viollet-le-Duc, sobre a arquitetura românica e gótica e reunido no Dictionnaire Raisonné de l'architecture française du 11º au 16º siécle (1858-68).
No século XX, formaram-se duas linhas divergentes no desenvolvimento da História de arte. Uma delas procurou analisar formal e psicologicamente o estilo, entendendo existir uma relação direta entre as formas artísticas e a cultura dos vários períodos históricos. Este movimento foi protagonizado pelo suíço Henrich Wölfflin (1864-1945) que, de entre os inúmeros ensaios que publicou, se destaca o Kunstgeschichtliche Grundbegriffe (Princípios de História de Arte, 1915). A segunda linha de desenvolvimento apontou para a área da iconografia, ou seja o estudo da história intelectual e cultural de cada época. Pioneiro desta corrente foi o alemão Aby Warburg que criou o Warburg Institute. Seguiram-se os trabalhos de Ernst Gombrich (1909-), de Emile Mâle e de Erwin Panofsky, um dos principais historiadores do século.
Outros autores importantes neste período foram os historiadores Adolfo Venturi (1856-1941), Max Dvorak (1874-1921) e o francês Henri Focillon (1881-1943), responsável pela abordagem formalista e estilística dos estilos medievais.
Já nos meados do século surgiram as teorias sociológicas da História de arte, movimento protagonizado pelo historiador francês Pierre Francastel. Desde a década de setenta, a reação contra os métodos tradicionais e a influência de outras abordagens (como o feminismo, o marxismo, o estruturalismo ou a psicanálise), culminam no que se designou por "nova História de arte".
No final do século, o desenvolvimento da História da arte é acompanhado e apoiado pelas novas tecnologias, como a fotografia e os processos informáticos de gestão da informação.
Como referenciar: História da arte in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-20 22:36:22]. Disponível na Internet: