História da oceanografia

A ciência moderna do estudo dos oceanos é muitas vezes atribuída ao oficial da marinha americana Matthew Fontaine Maury (1806-1873). Em 1855 Maury publicou o que foi considerado o primeiro grande manual de oceonagrafia, intitulado The Physical Geography of the Sea. O livro inclui capítulos sobre a corrente do Golfo, atmosfera, correntes, fundos oceânicos, ventos, climas, movimentos do vento e da água, tempestades, etc. O livro foi o resultado final de uma grande quantidade de dados reunidos e mostravam que o seu autor tinha uma profunda convicção de que o mar era uma entidade dinâmica.
Depois de uma doença ter impedido Maury de navegar, começou a acumular dados sobre barcos, ventos e correntes, contidos em diários de bordo. Para aumentar os seus conhecimentos, Maury recorreu à ajuda de marinheiros de todos os tipos de barcos e de todas as nacionalidades.
Ao fim de algum tempo pode correlacionar conhecimentos sobre ventos, temperaturas, clima, marés e correntes. A sistematização, por Maury dos elementos fornecidos revela um prévio padrão de conhecimentos das correntes oceânicas, e os seus roteiros marítimos ajudaram, significativamente, a reduzir os tempos de navegação. Por exemplo, o tempo necessário para navegar da costa este dos Estados Unidos até ao Rio de Janeiro, no Brasil, foi reduzido em cerca de 10 dias e a rota para a Califórnia pelo Cabo Horn foi encurtada 30 dias. Também cartografou o primeiro mapa batimétrico do Atlântico Norte que mostrava a profundidade do oceano a intervalos de 1000 braças (uma braça igual a 1,8 metros, a distânica entre os dedos indicadores de um homem com os braços estendidos). Outro acontecimento de grande significado para a moderna oceanografia foi a histórica viagem de H.M.S. Challenger, que durou 3 anos e meio. Iniciada em dezembro de 1872 e terminando em maio de 1876, a expedição Challenger foi o primeiro e talvez mais polivalente estudo do oceano global. Os 110 000 quilómetros de viagem permitiu aos cientistas embarcados percorrer todos os oceanos exceto o Ártico. Periodicamente tiravam amostras da profundidade total da água, temperatura a várias profundidades, condições climáticas, e a taxa e direção das correntes superficiais e sub-superficiais.
Amostras de água e seres vivos foram colhidos a vários níveis. Água e seres vivos dos fundos eram recolhidos por dragagem e foram descobertos mais de 700 novos géneros e 4000 novas espécies de animais e plantas. Os dados recolhidos indicavam claramente que os oceanos estavam cheios com seres vivos desconhecidos e provava que a vida existe a grandes profundidades. Anteriormente muitos admitiram que a zona azoica (sem vida) existia no oceano a partir da profundidade de cerca de 550 metros.
Os resultados científicos da viagem foram publicados nos 15 anos seguintes e encheram 50 grossos volumes. A "Challenger Deep-Sea Exploring Expedition" como foi oficialmente denominada, iniciou a grande época da oceanografia descritiva. É talvez, a partir desta viagem que se criou o termo oceanografia.
Uma indivíduo notável que contribuiu para o novo conhecimento dos oceanos foi o aventureiro e cientista Fridtjof Nansen. Embora mais conhecido pelos oceanografos como explorador polar, Nansen era também um artista, zoólogo e ganhou o Prémio Nobel da Paz. Depois de ter estudado as águas das bacias árticas, Nansen concebeu uma hipótese referente às correntes superficiais em contacto com os corpos gelados.
Nansen convenceu o seu governo e a "British Royal Geographycal Society" para o ajudarem a testar as suas hipóteses e foi construído um barco, o Fram. Durante três anos, desde setembro de 1893 a agosto de 1896 Fram e a sua tripulação eram arrastados com o gelo.
Durante esta viagem pioneira Nansen fez importantes observações sobre as correntes oceânicas mas verificou também que a camada de gelo penetrava na profundidade oceânica. Durante a viagem, Nansen, criou um instrumento para cuidadosamente medir a salinidade e temperatura da água, de que recolhia amostras a diversas profundidades. O aparelho criado por Nansen foi durante muitos anos um importante instrumento oceanográfico.
A viagem do barco alemão Meteor, entre 1925-27, foi considerada a consequência da expedição Challenger. Esta viagem foi feita, possivelmente, no primeiro navio oceanográfico porque tinha a vantagem de estar modernamente equipado, incluindo o aparelho de Nansen e uma sonda eletrónica, para o tempo revolucionária (eco-onda). Com a eco-onda foram as profundidades oceânicas determinadas sem a linha de peso, que implicava para cada medição a perda de muito tempo. Mais de uma hora e meia em águas profundas. Com a eco-onda as profundidades são medidas em segundos ou minutos, enquanto o barco está em movimento e o cálculo é de grande rigor.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o interesse da investigação referente aos oceanos cresceu muito rapidamente. Hoje encontramo-nos num período de oceanografia analítica, que substituiu o período em que os estudos puramente descritivos eram a regra. Atualmente barcos altamente especializados como o Floating Instument Platform (Flip) permitem os mais aprofundados estudos oceanográficos. O uso de satélites também tem sido preciosos auxiliares nos estudos oceanográficos.
Como referenciar: História da oceanografia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-11 00:46:22]. Disponível na Internet: