História de Portugal

Obra de historiografia em quatro volumes, produto dos longos trabalhos de investigação documental levados a cabo por Alexandre Herculano entre fins da década de 30 e inícios da década de 40, como bibliotecário-mor das bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades. A obra teve como ponto de partida as "Cartas sobre a História de Portugal", inspiradas por Thierry, publicadas em 1842 na Revista Universal Lisbonense, nas quais Herculano falava já da utilidade do estudo da história da pátria, para cada povo buscar "a razão dos seus costumes, a santidade das suas instituições, os títulos dos seus direitos", "o conhecimento dos progressos da civilização nacional", "as experiências lentas e custosas que seus avós fizeram, e com as quais a sociedade se educou para chegar de frágil infância a virilidade robusta", colhendo, enfim, "ensino e sabedoria para o presente e futuro".
Segundo o propósito inicial de Herculano, a obra deveria estender-se até ao período da Restauração. Na realidade, a reação provocada logo pelo primeiro volume, saído em 1846 (que originou uma polémica com o clero, ao questionar o milagre da Batalha de Ourique, polémica que daria origem, por parte de Herculano, aos opúsculos Eu e o clero, Considerações pacíficas e Solemnia verba), fez com que a obra não ultrapassasse o reinado de D. Afonso III, detendo-se, concretamente, no momento histórico em que os municípios obtêm do rei o direito de representação nas cortes. A obra reflete, portanto, o interesse especial de Herculano pela Idade Média, como momento genesíaco da nação e pela história das instituições municipais, vistas como os organismos que poderiam, na época contemporânea do autor, evitar que a realeza exorbitasse em cesarismo. A obra vale também pelos apêndices e notas documentais apensos aos volumes.
Como referenciar: História de Portugal in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-23 23:07:31]. Disponível na Internet: