Homem Cristo

Jornalista, escritor e panfletário português, nasceu em Aveiro em 1860, cidade onde viria a falecer em 1940. Cedo abandonou os estudos, assentando praça no ano de 1876, numa altura em que sonhava abraçar uma carreira militar. Manteve-se nesta até 1908, ocupando o posto de tenente. Apesar desta sua carreira castrense, fundou, em 1882, o jornal O Povo de Aveiro, do qual foi proprietário, diretor e redator durante mais de 50 anos. Homem Cristo era, de resto, o único redator da publicação. Nele sublimou a sua verve corrosiva e mordaz, de combatente das liberdades e feroz antifascista, criticando a monarquia, mas não tendo nunca perdido o ensejo de fustigar os republicanos. Escreveu também para o Século, dirigido na altura por Magalhães Lima.
Republicano convicto, pertenceu, apesar de crítico pontual, ao diretório do Partido Republicano, ao lado de nomes como Teófilo Braga, Manuel de Arriaga ou Jacinto Nunes, entre outros. Afonso Costa, um dos maiores nomes da Primeira República em Portugal, foi um dos políticos com quem mais acesas diatribes manteve, chegando mesmo a ameaçá-lo de lhe dar um dia uma cacetada... Também Guerra Junqueiro não se livrou das suas críticas, tendo ambos travado uma acesa luta de palavras. Depois da proclamação da República em 1910, exilou-se em Paris, onde continuou a dirigir e a escrever para o seu jornal O Povo de Aveiro. Este semanário, apesar de local, tinha uma grande tiragem e vendas muito significativas, tendo mesmo chegado a competir com jornais nacionais, em boa parte devido aos artigos frontais, atrevidos e cáusticos de Homem Cristo, considerado o maior panfletário português do século XX. Regressou a Portugal ainda na Primeira República, assistindo aos acontecimentos que verteram na ascensão do regime ditatorial em Portugal, que uma vez mais combateu.
Pedagogo de reconhecido mérito, foi também um regionalista entusiasta, tendo desempenhado o cargo de presidente da Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro, de fevereiro de 1925 a dezembro de 1930.
Deixou-nos ainda alguns títulos, como Os Acontecimentos de 31 de Janeiro e a Minha Prisão; Banditismo Político; Cartas de Longe; Monárquicos e Republicanos; Notas da Minha Vida e do Meu Tempo, para além de ter colaborado em várias obras de carácter enciclopédico.
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