Humberto de Campos

Jornalista, contista e poeta brasileiro, Humberto de Campos nasceu em 1886 e morreu em 1934. Foi um cidadão empenhado na construção da sociedade do seu tempo. A sua vasta obra literária caracterizou-se por uma profunda crítica aos seus contemporâneos, numa ânsia de contribuir para o desenvolvimento e consciencialização pública em prol de valores morais e cívicos que ele via comummente subalternizados em função de menores valores.
A sua primeira obra publicada foi o livro de poesia Poeira, em 1911, que viria, cinco anos mais tarde, a ter continuação numa segunda série de poemas. O estilo é marcadamente parnasiano - há quem o considere o último poeta parnasiano brasileiro -, aliando a perfeição técnica a temáticas contemplativas de uma natureza ameaçadora ("Natureza Amazónica") ou de um homem solitário defrontando-se com a sua espiritualidade ("Oração de um Inca"). Mas os registos maiores da sua obra são, sem sombra de dúvida, os textos em prosa. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e, durante pouco tempo, exerceu funções de crítico literário no jornal Correio da Manhã.
Tornou-se célebre pelos seus contos e crónicas humorísticos, através dos quais desenvolveu uma análise crítica e moralista à sociedade brasileira do seu tempo. Da Seara de Booz (1918), Mealheiro de Agripa (1920), A Serpente de Bronze (1921) e Carvalhos e Roseiras (1923) reúnem talvez as crónicas mais representativas do seu estilo e da sua perceção da realidade. Vale De Josafá (1919), Tonel de Diógenes (1920), Grãos de Mostarda (1925) e Alcova e Salão (1927) são alguns dos mais importantes títulos de livros de contos do autor.
Em 1930 foi obrigado abandonar o cargo de deputado federal e, nos quatro anos que mediaram até à sua morte, intensificou a atividade literária, numa altura em que as dificuldades e a doença se acentuavam. Publicou ainda o livro de ficção O Monstro e Outros Contos, em 1932, e os livros de crónicas Os Párias e Lagartas e Libélulas, em 1933. Nesse mesmo ano editou as Memórias. As suas derradeiras obras - e talvez as mais relevantes - foram Crítica (1933, com uma segunda série editada postumamente em 1935) e Sombras que Sofrem (1934).
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