Ian Paisley

Político e religioso da Irlanda do Norte, Ian Richard Kyle Paisley, nascido a 6 de abril de 1926, em Lurgan, Armagh, ficou conhecido pela sua intransigência na defesa dos direitos dos protestantes da Irlanda do Norte.
Aos vinte anos, tornou-se ministro da Igreja Batista numa cerimónia conduzida pelo pai.
Em março de 1951 viria a ser um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Livre. Tornar-se-ia conhecido através das suas atividades religiosas, nomeadamente por adotar uma visão fundamentalista do Protestantismo. Já em meados da década de 60 do século XX, destacou-se por se opor ao regime unionista irlandês, acusando-o de trair os interesses dos protestantes da Irlanda do Norte. Nomeadamente, contestava o afastamento em relação à Grã-Bretanha. Quando começaram a surgir manifestações em defesa dos direitos civis dos irlandeses, lideradas por movimentos católicos, Ian Paisley organizou contra-manifestações protestantes. Por causa de uma dessas manifestações, em novembro de 1968 foi detido e esteve seis semanas na prisão.
Acabou por formar o Partido Protestante Unionista, através do qual foi eleito deputado do Parlamento da Irlanda do Norte em 1970. Contudo, em setembro de 1971, juntamente com outros dissidentes, formou o Partido Democrático Unionista do Ulster (PDU), do qual se tornou líder em 1973. Através deste partido continuou a manifestar a sua oposição a qualquer concessão que fosse feita à comunidade católica da Irlanda do Norte.
Em 1979 foi eleito deputado ao Parlamento Europeu, cargo que manteve até 2004.
Entretanto o seu partido (PDU) manteve uma grande rivalidade com o outro movimento unionista irlandês, o Partido Unionista do Ulster, só interrompida em meados da década de 80 quando se uniram para contestar um acordo anglo-irlandês.
Já na década de 90, Paisley pôs em causa a credibilidade do envolvimento do governo britânico no processo de paz para a Irlanda do Norte e também colocou dúvidas quanto ao cessar-fogo do IRA e à participação dos seus representantes nas conversações de paz.
Em 1996 aceitou participar nas conversações de paz abertas a todos os partidos. Contudo, depois de ter sido alcançado o Acordo de Sexta-feira Santa, em 1998, que levou à criação de uma assembleia legislativa e a uma coligação entre nacionalistas e republicanos, Paisley apelou ao voto no "não" no subsequente referendo destinado a aprovar esse mesmo acordo.
Em junho de 1998 Ian Paisley foi eleito deputado da nova assembleia da Irlanda do Norte e, desde então, liderou a oposição ao acordo de paz.
Só em 2006 começou a dar mostras de alguma abertura ao admitir a presença de membros do Sinn Féin, partido associado ao IRA, numa coligação governamental, caso garantissem o respeito pela democracia e pela lei.
A 8 de maio de 2007 tomou posse como primeiro-ministro de um governo partilhado entre católicos e protestantes da Irlanda do Norte.
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