Igreja da Natividade (Belém)

Uma das mais antigas igrejas do Mundo, levantada graças à vontade do imperador Constantino e de sua mãe, S.ta Helena, no ano de 330. Após sucessivas vicissitudes, o templo é restaurado e parcialmente renovado na sexta centúria da era cristã, no tempo de Justiniano (depois de 595). O edifício subsiste ainda hoje, apesar das modificações operadas, como um dos exemplos artísticos e arqueológicos da arquitetura paleocristã. Segundo exames arquitetónicos realizados ao longo do século XX, concluiu-se que o edifício, em termos de história da arte, possui um carácter compósito relativamente a elementos constitutivos da sua planta. O templo encontra-se rodeado por três conventos representando os três ritos cristãos, cujas comunidades asseguram alternadamente a manutenção e reitoria da Basílica: franciscanos, ortodoxos gregos e arménios.
Nesta Basílica, como ponto de referência e ex-líbris do edifício, encontra-se uma cripta na qual está o altar da Natividade onde, de acordo com vetustas tradições cristãs, terá nascido Jesus Cristo. Na parede sul deste subterrâneo, encontra-se um pequeno oratório, representando o Presépio e onde se recorda a Adoração dos Três Reis Magos. Da gruta derivam outras galerias, onde se localizam capelas, como as de S. José, dos Inocentes, e oratórios, como os de S. Jerónimo, S. Eusébio de Cremona, S.ta Paula e Sto Eustóquio.
Retomando a sua história, no século XII - tempo de cruzadas - a igreja foi consagrada como sede de bispado, pois encontrava-se já sob domínio ocidental, apesar da enorme influência bizantina. Esta é patente nos mosaicos (c. de 1169) e pinturas que decoram a igreja, apesar de poucos restarem. Os dominadores árabes e persas respeitaram o local, não lhe infringindo danos. Saladino, por exemplo, manteve mesmo o culto cristão na igreja.
Ainda na Idade Média, em pleno século XIII, os franciscanos, animados pelo espírito de reconquista espiritual dos lugares santos do cristianismo, assumiram a direção do templo, promovendo restauros e melhoramentos. Estes religiosos, no século XVI, entrariam, porém, em conflito com os popes (monges) gregos da Terra Santa. Como solução para o conflito sobre a jurisdição espiritual e temporal da igreja, ambas as comunidades passaram a alternar na reitoria da Basílica, embora de acordo com a simpatia que gozassem junto da Sublime Porta (designação tradicional, na época, do governo do Império Otomano, senhor da região) as nações em que aqueles religiosos se apoiassem. No século XVII, tomaram mesmo posse da igreja, em virtude das guerras entre Veneza e os Otomanos (1645-1669). Todavia, em 1690, os latinos retomariam o templo, para, em 1757, o mesmo regressar aos gregos.
A polémica sobre a posse entre latinos e gregos acentuou-se no século XIX, com a França, e também a Inglaterra, a pressionar a Porta para ceder os direitos de cura e propriedade da Basílica. Os gregos, em 1873, chegaram mesmo a invadir a Basílica, ferindo oito franciscanos, saquearam o Presépio e destruiram parte do espólio artístico do templo. Em 1917, as forças interaliadas da Palestina ocuparam a igreja e retomaram o statu quo latino, embora, posteriormente, tivessem ocorrido novos conflitos e violência física junto do Presépio, por parte de peregrinos e religiosos. O último destes acontecimentos - pelo menos entre os de maior impacto - registou-se em 1927. Hoje, todavia, graças a acordos internacionais, as três comunidades ali se mantêm, coabitando pacificamente, cada uma com o seu claustro, num ambiente cenobítico perfeitamente ecuménico.
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