Igreja de N. Sra. da Consolação
A Igreja de N. Sra. da Consolação foi edificada nas traseiras da antiga Sé de Elvas e integrava-se num convento de freiras da Ordem de S. Domingos, entretanto destruído.
Esta igreja dominicana terá sido levantada no local de uma outra medieval - destruída cerca dos meados do século XVI -, altura em que o monarca D. João III terá dado início às novas obras (c. 1543), finalizadas catorze anos mais tarde.
Inserida na teia urbana de Elvas, N. Sra. da Consolação é um templo que passa despercebido, confundindo-se a sua silhueta com a do casario comum. Do exterior, destaca-se apenas o gracioso portal renascentista aberto em arco pleno, moldurado por pilastras unidas por arquitrave, sobrepujada por um escudo com a cruz da ordem dominicana e ladeado por volutas. De excelente qualidade, e de cariz classicizante, são os dois medalhões com bustos inscritos, colocados acima do arco da entrada.
Surpreendente é o interior do templo que desenha uma planta octogonal. Oito colunas de mármore são coroadas por arquitrave que sustenta a cúpula hemisférica e gomada. Todas as superfícies são animadas com decoração policromada de "brutescos", rótulos, e outros motivos fitomórficos e animalistas, bem assim como a representação do Cordeiro Místico. Estas pinturas foram encomendadas pela Madre Catarina de Cena, em 1676, conforme se comprova pela legenda nelas existentes.
De notável qualidade são os azulejos do século XVII que revestem totalmente as paredes laterais, as abóbadas e a cúpula. Alguns azulejos são policromados em padrão de laçarias e rosas; os outros dispõem-se em tapete. Datado de 1659 é o painel com o emblema da Ordem de S. Domingos numa das faces da cúpula.
Três das capelas ostentam retábulos de talha dourada dos finais do século XVII, inseridos em nichos poligonais. O central é dedicado a S. Domingos e os laterais a S. João Batista e a S. Tomás de Aquino.
No ambiente desta riquíssima decoração, o destaque vai para o revestimento da cúpula da ousia, dividida em cinco gomos e ornados com motivos escultóricos em estuque: representações simétricas de "putti", aves afrontadas, elementos arquitetónicos e vegetalistas.
Ao centro, ostenta um brasão encimado por elmo, estando sobre este um busto provavelmente representando a Virgem da Consolação. A todo este valioso espólio vem ainda juntar-se uma tela referente a Santa Catarina de Siena, que, de acordo com Vítor Serrão, é da autoria do pintor maneirista de Évora, Pedro Nunes.
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