Igreja de S. Bartolomeu

A Igreja do apóstolo S. Bartolomeu começou a tomar forma na vila alentejana de Borba após 1590, sendo esta construída entre os finais do século XVI e os primeiros anos do século seguinte.
Deve-se ao mestre João Fernandes a construção deste templo e a sua volumetria revela influências do estilo maneirista, além de alguns sinais emergentes da gramática barroca, acrescentados em intervenções posteriores.
Sobressai na frontaria de S. Bartolomeu de Borba um esbelto portal nobre formado por duas colunas jónicas com o fuste canelado e assentes sobre pedestais decorados com simbólicos relevos do instrumento do seu martírio ( a faca), sustentando estas colunas forte entablamento com friso lavrado, sobre o qual se desenha um frontão interrompido e demarcado por pináculos. Acima do portal abre-se o janelão setecentista do coro, com moldura externa de linhas contracurvadas. Imponente e de configuração quadrangular é a torre sineira setecentista revestida por placas de mármore, sendo marcada na cimalha por fogaréus e estando coberta por cúpula bolbosa. Quer no corpo do templo, quer na sua cabeceira, as suas paredes são reforçadas por salientes contrafortes.
O interior revela-se de nave única e ampla, coberta por soberbas abóbadas ogivais de cruzaria, cujos feixes arrancam de mísulas adossadas às paredes laterais. As várias secções das abóbadas são preenchidas por notáveis pinturas a fresco do século XVII, representando-se nos painéis centrais episódios da vida de Cristo e do martírio de S. Bartolomeu. Nas restantes secções podem admirar-se motivos antropomórficos, geométricos e fitomórficos.
Contribui para um enriquecimento maior deste templo o revestimento seiscentista de azulejo-padrão que cobre parte das suas paredes, com decoração floral e de maçarocas. Harmonizam-se com este revestimento cerâmico cinco pinturas com as suas molduras em talha dourada. Ainda nas paredes abrem-se nichos que albergam diversos altares com diferentes invocações e motivos decorativos. O púlpito de mármore seiscentista está adossado a uma das paredes, formado por uma bacia de godrões e uma balaustrada, coberto por um dossel posterior de talha dourada. O primeiro tramo do corpo do templo é totalmente ocupado pelo arco abatido, sob o qual está o coro alto protegido por balaustrada de mármore azul e branco.
A capela-mor apresenta uma abóbada preenchida com pinturas a fresco, mostrando diversos símbolos eucarísticos e episódios referentes ao Livro do Apocalipse. Aqui pode admirar-se o retábulo-mor em talha dourada, datado de 1733 e realizado pelo mestre Manuel Nunes. Cenas hagiográficas e cristológicas são narradas em pinturas setecentistas que estão enquadradas por ricas molduras em talha dourada.
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