Igreja de S. Francisco (Évora)

A cidade de Évora possui uma das mais belas igrejas da Ordem Mendicante de S. Francisco de Assis, inicialmente uma construção gótica de três naves e com cabeceira de absidíolos, que, segundo o cronista Frei Jerónimo de Belém, seria do ano de 1226. Embora esta datação seja colocada no condicional, já não oferece dúvidas o facto de a primitiva igreja franciscana de Évora ter acolhido, em 1336, os esponsais do futuro rei D. Pedro I com D. Constança Manuel. No século XVI, D. Manuel I concede importantes regalias e privilégios aos franciscanos eborenses.
A face atual da Igreja de S. Francisco é do reinado de D. João II, iniciada cerca do ano de 1480. A nova igreja, edificada numa gramática gótico-mudéjar, apresenta uma fachada contrafortada e composta por ampla galilé, dividida por quatro arcos desiguais e coberta por abóbada de aresta. Encima-a um janelão de vão mistilíneo, dividido em vários lumes rendilhados, coroando a fachada uma fiada de merlões e movimentados coruchéus cónicos.
No interior da galilé acede-se ao portal manuelino de colunas marmóreas, mainelado ao centro por coluna semitorsa e encimado com o escudo do pelicano, símbolo de D. João II, e a esfera armilar de D. Manuel I. De planta em cruz latina, o interior apresenta corpo de uma só nave, dividido em seis tramos e coberto por abóbada de nervuras. Diversas capelas laterais, com altares em talha dourada de sabor do Barroco Joanino e rocaille, preenchem a nave da igreja. As duas capelas colaterais do cruzeiro, de estilo rocaille, são adornadas por painéis de um políptico hagiográfico, atribuível ao pintor quinhentista Garcia Fernandes (c. 1535). Ainda na zona do cruzeiro, no lado da Epístola, localiza-se um retábulo maneirista que pertenceu ao altar-mor da igreja eborense da Graça, com episódios da vida de Cristo e pintados em 1575 por Francisco João. A capela da ordem Terceira é uma das obras-primas da talha joanina em Évora, elaborada em 1727 pelo entalhador Manuel Nunes da Silva. Completam a decoração desta magnífica capela azulejos parietais azuis e brancos com temas hagiográficos, da mesma época, atribuídos à oficina de António de Oliveira Bernardes.
A capela-mor manuelina, atribuída ao arquiteto espanhol Pero de Trilho, apresenta-se coberta por abóbada de ogivas e rasgada por aberturas geminadas. Possui tribunas reais em pedra, esculpidas no século XVI por Nicolau Chanterene. O grande retábulo do altar-mor, em mármore policromo, é uma realização rocaille de 1773, substituindo um antigo retábulo do gótico final, obra dos inícios do século XVI e da autoria dos flamengos Olivier de Gand (entalhador) e Francisco Henriques (pintor).
Nas ruínas do primitivo claustro gótico trecentista, ergue-se a pequena Capela do Senhor dos Passos, objeto de profunda devoção local.
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