Igreja de S. Francisco (Faro)
Após a chegada a Faro da Ordem de S. Francisco, em finais da década de 70 de Seiscentos, os seus membros empenharam-se em erguer a Igreja de S. Francisco, posteriormente afetada com o terramoto de 1755. Com as obras de remodelação, a igreja perdeu a sua primitiva orientação.
A setecentista Igreja de S. Francisco de Faro possui a fachada nobre tratada como um pórtico, enquadrado por dois pares de pilastras jónicas, assentes em pedestais. A fachada eleva-se em dois pisos rematados por entablamento.
O interior do templo resulta numa combinação cromática de azuis, vermelhos e dourados. A nave única é coberta por abóbada de berço apainelada, assente entablamento policromo. À entrada podemos apreciar dois painéis de azulejo azul e branco, alusivos às vidas do Orago e da Virgem: S. Francisco rodeado de espinhos erguendo a Igreja e a Imaculada Conceição. Grande parte dos azulejos que forram o templo são atribuídos aos conceituados mestres Policarpo e António Oliveira Bernardes.
O arco triunfal e a cúpula do cruzeiro criam um exuberante jogo cenográfico. A cúpula assenta em cornija oitavada, ricamente decorada com talha, a fazer lembrar uma renda. Esta é interrompida por quatro óculos de contorno mistilíneo. A cornija é sustentada por fortes pilares que delimitam o cruzeiro. Estes pilares passam despercebidos, por estarem ornados sumptuosamente de balcões em talha dourada, tendo como pano de fundo pinturas com volumosas molduras em talha.
A capela-mor reveste-se igualmente de azulejos. Na abóbada de berço, os azulejos azuis e brancos mostram, ao centro, um painel polícromo - amarelo e vermelho escuro - com a representação da coroação da Virgem. O retábulo-mor tem o trono e o sacrário abrigados por um baldaquino e enquadrados por portais cegos de colunas torsas.
Notam-se nesta igreja diversas abordagens arquitetónicas que passam pelo barroco Joanino, o rocaille lisboeta de influência italiana e pela delicadeza própria da talha rocaille da Escola de Évora.
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