Igreja de S. Francisco (Porto)

Sobranceira à zona ribeirinha do Porto, a Igreja de S. Francisco é a única dependência que subsiste do antigo convento desta ordem mendicante. O edifício data do século XIV, tendo as suas obras sido concluídas no ano de 1425. No século XVIII, este templo gótico veio a sofrer uma remodelação profunda, contrastando a pureza do gótico inicial trecentista com o resplendor e o brilho da talha dourada do barroco setecentista.
A sua primitiva fundação não foi pacífica, deparando os frades franciscanos com a oposição de grande número de clérigos e do bispo do Porto. Devido ao apoio régio e à intervenção papal em 1244, os franciscanos puderam erguer o seu pequeno convento, objeto de renovação total no último quartel do século XIV, dentro dos cânones que caracterizaram a singeleza dos edifícios das ordens mendicantes em Portugal.
A fachada principal tem o seu enquadramento amputado pela construção contígua da entrada lateral do Palácio da Bolsa. Ainda assim, observa-se uma fachada sólida e tripartida, reforçada pelos verticais contrafortes, tendo a parte central mais elevada. Apresenta um portal barroco dos finais do século XVII, composto por dois pares de colunas espiraladas e rematado por nicho albergando uma imagem de S. Francisco de Assis. Este é encimado por grandiosa rosácea gótica. De planta em cruz latina, o interior apresenta corpo de três naves, com as laterais de menor altura face à central, dividido em cinco tramos. A cobertura de madeira, com o seu telhado de duas águas, é sustentada por pilares retangulares, onde estão adossadas finas colunas com capitéis zoomórficos e de cariz vegetalista. O corpo da igreja é invadido por uma profusão de talha dourada barroca, que submerge sanefas das janelas, colunas, arcos e altares laterais, transformando-a numa autêntica "caverna de ouro". O coro alto é suportado por uma abóbada rebaixada e revestida integralmente por talha dourada. O elevado transepto é iluminado por um janelão rasgado na parte superior da ala sul, destacando-se aí a Capela de S. João Batista ou dos Carneiros, obra do século XVI da autoria de Diogo de Castilho, apresentando uma abóbada nervada, as paredes cobertas com azulejos barrocos do século XVIII e uma pintura retabular quinhentista com o tema do "Batismo de Cristo".
A cabeceira poligonal, composta por ábside e absidíolos, é abobada e, igualmente, revestida pelas cintilações douradas da talha barroca, repercutindo-se estas ainda no seu grandioso retábulo-mor.
Da imensa beleza plástica retabular de S. Francisco, destacamos a composição da "Árvore de Jessé" - obra escultórica alusiva à genealogia de Jesus Cristo e concebida entre 1718 e 1721 por Filipe da Silva e António Gomes.
Parcialmente destruído em 1833, durante o cerco do Porto, em consequência da guerra civil travada entre Liberais e Absolutistas, o claustro gótico de S. Francisco foi totalmente demolido, dando lugar ao magnífico Palácio da Bolsa.
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