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Igreja de S. Lourenço (Alhos Vedros)
A matriz de Alhos Vedros foi, primeiramente, no século XII, de invocação a N. Sra. dos Anjos. Os habitantes desta localidade veneravam-na, como forma de gratidão, por esta os ter salvo das mãos dos sarracenos. A matriz do século XV veio substituir a igreja primitiva, tendo sido feito um aproveitamento do edifício anterior.
Com a implantação da República, a igreja de Alhos Vedros, agora de invocação a S. Lourenço, perdeu a maior parte do seu importante espólio, que se guarda atualmente no Museu Nacional de Arte Antiga. Com as intervenções da D.G.E.M.N., em meados deste século, e de melhoramentos posteriores, o templo voltou a adquirir a sua respeitabilidade e solenidade.
No início do século XX, por altura da implantação da República, o edifício da igreja sofreu grande destruição, principalmente ao nível das suas coberturas e pavimentos, o que não impediu que, a partir de 1932, se celebrasse missa com regularidade.
Estruturalmente, a igreja é composta por vários volumes. Do seu agrupamento, destaca-se a torre sineira coroada por coruchéu, a capela gótica ameada e de planta multi-angular, os contrafortes e a cúpula mourisca da Capela de N. Sra. dos Anjos, onde se pode admirar a sua imagem quatrocentista. Anima a fachada nobre um portal maneirista, dos inícios do século XVII.
Interiormente, os vários portais abertos na nave e os painéis barrocos pintados no teto de berço abatido conferem ao templo maior espiritualidade. É de realçar o painel central que trata o Martírio de S. Lourenço. As capelas justapostas à nave são outro motivo de interesse. O destaque vai para a capela gótica de S. Sebastião, coberta por abóbada nervurada e para as suas paredes atapetadas com azulejos barrocos, narrando episódios da vida de S. Lourenço. Também importante pelo seu revestimento cerâmico setecentista é a Capela de Stº. António. Merecedora de atenção é igualmente a Capela de S. João Batista, que sobressai pela sua abóbada de nervuras, pelos azulejos do século XVI e pela pia de água benta.
A plasticidade cromática do interior do templo é reforçada pelos seiscentistas retábulos em talha dourada da capela-mor e colaterais. Na ousia é ainda possível apreciar obras escultóricas do século XVII-XVIII.
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