Igreja de Santa Cruz (Braga)

A Igreja de Santa Cruz constitui o primeiro grande marco do período barroco da metrópole bracarense - e bem assim uma das suas mais elevadas e expressivas manifestações -, período esse responsável pela grande monumentalidade que ainda hoje a capital minhota apresenta.
Por iniciativa de Jerónimo Portilo - que algum tempo antes havia promovido a instituição da Confraria de Santa Cruz -, começou a ser erguida no ano de 1625, com esmolas dos confrades e sob o patrocínio do arcebispo primaz D. Afonso Furtado de Mendonça, ao qual se atribui a autoria do projeto do programa da igreja, concluindo-se a primeira fase em 1653. Do risco de mestre Francisco Vaz parece ter sido a fase final da construção.
Monumento pioneiro e inovador, nele assume particular notabilidade a qualidade e riqueza da sua ornamentação. Entre as suas principais joias decorativas destacam-se as obras dos entalhadores frei José de Santo António Vilaça e Francisco Machado, de Landim. A fachada, dividida em dois pórticos justapostos, desenvolve-se entre duas torres sineiras de agradável recorte e elegante remate, erguidas no ano de 1694, onde também se incorporam os relógios, cuja ornamentação se deve ao mestre pedreiro Francisco Álvares. As três portas de entrada do templo são enquadradas pelo pórtico do piso térreo, constituído por quatro colunas dóricas adossadas e com caneluras, e entre as respetivas vergas e o entablamento observam-se três cartelas com inscrições. Sobre a cornija levanta-se um pórtico cego, de vãos profusamente decorados, formado por quatro pilastras de ordem jónica, estando o entablamento interrompido por um óculo de larga moldura, encimado por um escudo heráldico. O frontão é rematado por um conjunto de três esculturas que lhe prolongam o sentido ascensional. Esta soberba decoração da frontaria foi terminada no ano de 1737.
No interior, muito amplo, a abóbada de berço de pedra esquartelada que cobre a elevada nave é sustentada por três robustos arcos torais. De ambos os lados abrem-se três capelas, separadas por arcos, cujos altares ostentam as esplendorosas talhas de Francisco Machado. A obra de talha do coro foi executada em 1742 pelo escultor António Marques.
A capela-mor, igualmente coberta por uma abóbada de pedra em caixotões, possui um admirável retábulo desenhado por frei José de Santo António Vilaça, que para esse efeito venceu um concurso no qual participaram artistas oriundos de diversos pontos do País, e executado em 1775 pelo entalhador João Bernardo da Silva. Ao talento daquele monge beneditino - em reconhecimento do qual foi agraciado com a capa de irmão da Irmandade de Santa Cruz - se devem igualmente os caixilhos e as sanefas das janelas, as portadas da capela-mor, dois relicários e algumas credências, ressaltando de todas estas obras a sua poderosa capacidade imaginativa.
Nesta igreja, são ainda dignos de nota os púlpitos, o órgão e o belo arco abatido que sustenta a frente do coro alto, com seu ondulado parapeito de balaústres.
Na sacristia, além do imponente e bem conservado arcaz, executado em 1674 por Pedro Nogueira, merecem ainda destaque os azulejos e as pinturas que ornamentam as paredes, datáveis dos séculos XVII e XVIII.
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