Igreja de Santa Maria (Óbidos)

Matriz da encantadora vila de Óbidos, a Igreja de Santa Maria foi fundada na Idade Média, sendo completamente remodelada no século XVI. Na era de Quinhentos, Santa Maria passou a pertencer ao património de D. Catarina, mulher do rei D. João III.
Reedificada de acordo com uma linguagem oscilando entre a pureza clássica do Renascimento e a reação anticlássica do Maneirismo, este templo do século XVI apresenta linhas harmoniosas e enriquecidas por outras obras nos séculos seguintes.
A fachada, de linhas verticais e frontão triangular com cruz latina, é marcada pelo avançado pórtico principal, composto por colunas coríntias caneladas sustentando forte entablamento. O corpo superior retangular é decorado por cartelas e sobrepujado por linhas contracurvadas, tendo ao centro um nicho com escultura da Virgem Maria rodeada por anjos, e rematado por pequeno frontão triangular. O interior apresenta o corpo dividido em três naves de quatro tramos, tendo o último destes, próximo da capela-mor, o pavimento elevado que é transposto por duas escadas laterais. Sustentam os ornamentados tetos de madeira, pintados no século XVII, harmoniosos arcos de volta perfeita assentes em colunas toscanas com pedestal. Entre os arcos são visíveis pinturas seiscentistas, enquanto as empenas superiores da nave central são preenchidas por 16 óleos sobre tela. As paredes das naves laterais apresentam-se cobertas por azulejos barrocos da segunda metade do século XVII.
Revestida por azulejos de padrão seiscentista, em tons de azul e amarelo, está a capela-mor da igreja, possuindo ainda um belíssimo retábulo de talha dourada com pinturas da Virgem, obra seiscentista do pintor local João da Costa.
Na igreja podem admirar-se cinco telas de Josefa de Óbidos, versando temas sobre a vida de Santa Catarina e que integram o retábulo da Capela da Epístola. No altar deste retábulo é de mencionar ainda o seu frontal revestido por geométricos e policromos azulejos sevilhanos quinhentistas.
Próximo da Capela do S. Sacramento pode admirar-se o magnífico túmulo de D. João de Noronha, alcaide-mor de Óbidos, e da sua esposa, D. Isabel de Sousa. Esta obra renascentista foi executada pelo grande escultor francês Nicolau Chanterene, provavelmente entre os anos de 1526 e 1528, sob o patrocínio da viúva de D. João de Noronha.
Obra maior da escultura funerária renascentista do nosso país, o túmulo de D. João de Noronha apresenta uma elaborada e harmoniosa estrutura retabular formada por arco de volta perfeita, medalhões figurados nos intercolúnios, enquadrados por colunelos-pilastras, figuras de santos e decoração de cartelas, pequenos anjos e motivos vegetalistas fitomórficos cobrindo a branda e branca superfície de pedra calcária. A parte superior é rematada por médio-relevo da Virgem rodeada por anjos, inscrita numa edícula com pilastras e encimada por pequeno frontão.
O arcossólio abre-se e aprofunda-se integrando a arca tumular com os brasões dos Sousas e Noronhas; o conjunto da arca é constituído por uma graciosa e delicadíssima Pietà - a Virgem amparando o seu filho morto e contendo a sua dor, enquanto S. João Evangelista e Maria Madalena a acompanham na sua profunda e contida comoção.
A riqueza da Igreja Matriz de Santa Maria de Óbidos é engrandecida por diversas outras obras de arte, datadas de entre os séculos XVI e XVIII, criando no seu jogo de escultura pétrea ou de madeira, conjugado com o trabalho policromo dos azulejos e dos mármores, um ambiente surpreendente e de grande equilíbrio formal.
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