Igreja de Santa Maria de Almacave

A Igreja de Santa Maria de Almacave, na cidade de Lamego é um monumento do românico português do século XII, posteriormente alterado no século XVII, o que lhe subverteu parte da sua primitiva e austera volumetria românica. Em 1988, o templo foi vítima de um violento incêndio, o que originou a perda ou destruição de parte do recheio interior, nomeadamente de algumas estruturas retabulares e de algumas obras de arte móvel.
Toda construída em granito, a fachada principal da igreja apresenta um portal românico, constituído por quatro arquivoltas - ligeiramente apontadas, a externa apresentando decoração de faixa geometrizante com motivo axadrezado - repousando em colunas capitelizadas. Sobre o portal rasga-se uma janela simples e de verga retangular. A empena triangular é encimada por uma cruz vasada. Na face direita da frontaria eleva-se a robusta torre sineira quatrocentista, de dois andares, rasgada superiormente por dupla ventana.
No exterior, o destaque vai ainda para a entrada lateral direita, aberta num portal românico de dupla arquivolta, a externa decorada por motivo de faixa em xadrez. Sobre este corre uma cornija com cachorrada. A planta da igreja apresenta um corpo de nave única sem transepto e cabeceira constituída por uma capela-mor retangular. A nave é coberta por abóbada de berço em madeira. Sobre o primeiro tramo da nave desenvolve-se o coro alto, assente em largo arco abatido. As suas paredes são revestidas por azulejos de maçarocas seiscentistas padronizados e polícromos. O púlpito é uma obra dos inícios do século XVII e apresenta um trabalho equilibrado de linhas clássicas.
Dos diversos altares subsistentes neste templo, o destaque vai para o do Sagrado Coração de Jesus, localizado no lado do Evangelho. Apresenta uma composição retabular do barroco setecentista, em talha dourada. Na predela ostenta dois painéis de pintura seiscentista, representando S. José com o Menino e S. Francisco Xavier. No lado contrário, na Epístola, encontra-se o altar de N. Sra. das Vitórias. Esta composição retabular em talha dourada é uma obra barroca dos meados do século XVIII, com o frontal de altar preenchido por simbólica de cariz Mariano, enquanto a predela mostra dois painéis de pintura do século XVII, alusivos a Sta. Apolónia e a Sta. Luzia. No camarim central e apoiado em mísula de talha dourada, mostra-se a estátua de N. Sra. das Vitórias com o Menino e a imagem de um Turco vencido e prostado a seus pés.
A capela-mor apresenta cobertura de berço em madeira. Lateralmente dispõe-se o cadeiral barroco setecentista dos raçoeiros da colegiada de Sta. Maria de Almacave. No lado do Evangelho existe uma credência joanina, da primeira metade do século XVIII. O retábulo-mor é uma grande composição em talha dourada dos começos de Setecentos, filiando-se no denominado Estilo Nacional. O sacrário decorado que ostenta é encimado por uma mísula, sobre a qual assenta a estátua da padroeira de Almacave.
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