Igreja de Santa Sofia, Istambul

A igreja de Santa Sofia, também designada templo da Sabedoria Divina, foi erguida entre 532 e 537 d. C., constituindo uma das obras primas da arquitetura religiosa e o paradigma do templo cristão de planta centralizada.
Quando o imperador romano Constantino transformou a cidade de Bizâncio na capital do recém-criado Império Romano Oriental em 336, dando-lhe o nome de Constantinopla, ergueu, no lugar onde atualmente se encontra a igreja de Santa Sofia, um templo cristão. Cerca de duzentos anos mais tarde, culminando o período de ouro do Império Bizantino, sob a égide de Justiniano, foi construída uma nova basílica, a partir dos planos dos arquitetos Antémio de Tralles e de Isidoro de Mileto. Edificada num período de seis anos, foi consagrada em 537, tornando-se na mais importante manifestação da cultura arquitetónica bizantina que chegou aos nossos dias.
O templo, formado por um conjunto de volumes simples e rigorosos que, em solução piramidal, culminam numa vasta cúpula central, domina a paisagem urbana, coroando a silhueta do centro antigo. A entrada, localizada no lado poente é precedida por um nártex porticado. Como se confirma em quase todos os edifícios bizantinos, à grande depuração da imagem e dos volumes exteriores contrapõem-se a densidade figurativa e a riqueza espacial do interior. A solução encontrada pelos arquitetos para organizar as várias unidades espaciais apresenta uma complexidade dos valores compositiva que responde a uma dupla vontade: se por um lado se preserva a tradicional organização axial longitudinal das primeiras basílicas cristãs, rematando numa abside semicircular, por outro, o vasto quadrilátero pontuado pela cúpula marca uma centralidade e uma axialidade que coroa a secção ascendente, vertical.
Outro aspeto inovador deste edifício são os quatro elementos (pendentes) triangulares que absorvem geometricamente a passagem da planta quadrada para o cilindro que sustenta a cúpula e que transmitem as descargas da cúpula a maciços pilares, através dos quatro amplos arcos.
No interior a sensação de peso desaparece, sob um requintado controle da luz, que desempenha um papel primordial na caracterização das formas e dos espaços, contribuindo para a unificação dos diferentes espaços numa solução plasticamente dinâmica baseada em dilatações e contrações. A própria cúpula, assente num tambor luminoso formado por uma série contínua de pequenas janelas, parece levitar sobre a nave. A vibração lumínica introduzida pelo revestimento dourado dos mosaicos e dos mármores polidos, em grande parte desaparecidos, devia ter acentuado mais ainda esta ilusão.
Separando as várias naves, uma série de diafragmas compostos por pilares e arcos, formando nichos, permitia criar filtros semitransparentes entre as várias zonas do templo.
Quase todos os motivos ornamentais, como as molduras, os frisos ou os capitéis, que derivam no essencial da arquitetura clássica (grega e romana), ganham um grande peso na acentuação e ligação de alguns dos elementos fundamentais da construção, introduzindo maior densidade formal ao vasto complexo de naves e absides.
A cúpula principal da igreja de Santa Sofia, cuja chave se ergue a cinquenta e seis metros de altura serviu como exemplo formal e construtivo para a conceção de muitas mesquitas e catedrais.
Santa Sofia foi o principal santuário da cristandade oriental (da igreja ortodoxa) até à conquista de Constantinopla pelos Turcos 1453. A cidade passa então a chamar-se Istambul e a igreja é transformada em mesquita, sendo-lhe acrescentados os quatro minaretes. Os mosaicos, que foram no mesmo período tapados por uma espessa camada de cal só voltaram a aparecer quando o templo se transformou em museu, na segunda metade do século XX.
Esta monumental igreja faz parte da área classificada Património Mundial pela UNESCO - Áreas Históricas de Istambul.
Como referenciar: Igreja de Santa Sofia, Istambul in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-09-29 10:02:14]. Disponível na Internet: