Igreja de Sto. António dos Olivais

A igreja do antigo Convento de Santo António - destruído pelas chamas em meados do século XIX - fica situada no cimo de uma colina da cidade de Coimbra. Neste lugar existia, desde os princípios da Nacionalidade, uma capela dedicada a Santo Antão, que recebeu em 1217-18 os primeiros franciscanos chegados a Portugal. Mais tarde, estes ergueram ao lado um pequeno eremitério que chegou a ser ocupado por aqueles que viriam a ser conhecidos pelos Santos Mártires de Marrocos (os primeiros franciscanos a serem sacrificados pela fé de Cristo). Foi a vinda para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra das relíquias dos Santos Mártires que levou Santo António a deixar o Mosteiro Crúzio para se tornar franciscano, mudando também o seu nome de Fernando para António, e a seguir os mesmos passos dos mártires, indo para Marrocos. É com a sua canonização em 1233 que é mudada a invocação deste templo, deixando assim de ser dedicado a Santo Antão.
Apesar de em meados do século XIII os Franciscanos se terem mudado para o convento de S. Francisco, em Santa Clara, esta igreja continua a ser muito procurada pelos devotos a Santo António. O crescente culto antoniano levou a que, em finais da centúria de Quatrocentos, o cabido mandasse aumentar o edifício. Nova reforma setecentista transformou o perfil arquitetónico do cenóbio franciscano.
O acesso à igreja é feito por um pórtico e um escadório em pedra, de trinta degraus repartidos por seis lanços, que apresentam lateralmente seis capelinhas, três em cada lado, de planta quadrangular e rematadas por corochéus. À esquerda, "Oração no Jardim das Oliveiras", a "Verónica" e o "Calvário"; à direita, a "Paixão", a "Flagelação" e a "Descida da Cruz". O pórtico do escadório é composto por três arcos de volta perfeita, com o central mais elevado, assentes em pilastras e encimados por frontão ondeado interrompido por cunhais, tratados como pilastras e rematados por pináculos. Ao centro rasga-se um nicho envolvido por composição de enrolamentos em voluta que, da cornija ressaltada, se prolonga até ao solo em duas aletas. Esta estrutura é coroada por uma cruz. A frontaria setecentista é rasgada por um largo arco abatido, característico das igrejas franciscanas da época, pela janela de contorno recurvo que o encima e por dois nichos que albergam a imagem de Sto. António, à direita, e de S. Francisco, à esquerda. Do mesmo lado encontra-se adossada a torre sineira, rematada por frontões triangulares e pináculos nos ângulos. No eixo dos nichos da fachada abre-se uma janela com contorno igual e que se repete nas ventanas. Entre ambas está um relógio.
A porta, da autoria de Daniel Rodrigues, artista de Coimbra mestre na arte do ferro forjado, apresenta a data de 1941 e em cima são visíveis três medalhões gravados representando o profeta Daniel, Nossa Senhora das Dores e Sto. Antão.
Nas impostas da porta do átrio, que dá acesso ao interior do templo, encontramos os testemunhos da construção anterior da segunda metade do século XV.
O interior do templo é simples e de nave única. As paredes são revestidas por magníficos azulejos setecentistas historiados, contando cenas da vida de Sto. António: do lado direito, a pregação aos peixes; do esquerdo, a pregação de Sto. António sentado na nogueira.
Nos flancos do arco cruzeiro situam-se os altares de Sto. António e de S. José. Em frente deste fica a pia batismal de fino trabalho revivalista neo-manuelino, dos inícios do nosso século e atribuída ao artista de Coimbra José Barata. Ainda na nave, é merecedor de atenção o candeeiro em ferro forjado, também da autoria de Daniel Rodrigues.
A capela-mor guarda um gracioso altar de pedra esculpida, um trabalho saído da oficina de João Machado. No retábulo, em talha dourada setecentista, destaca-se uma pintura de grandes dimensões, datada de 1779 e da autoria do italiano Pascoal Parente, representando Nossa Senhora da Conceição. A ladeá-la estão as esculturas de S. Francisco e S. João Batista; no teto um fresco representando a Imaculada Conceição. As paredes da ousia são revestidas a azulejos (azuis e brancos) seiscentistas.
O esquema arquitetónico da sacristia é semelhante a uma pequena igreja. A sua construção está datada dos inícios de Setecentos, mas a sua ornamentação é já caracteristica do final da mesma centúria. Aqui podem ser apreciadas várias telas retratando episódios da vida do santo padroeiro, alguns idênticos aos encontrados nos azulejos das paredes da nave, enquadrados por riquíssimas molduras em talha dourada, salientando-se a pintura assinada por Pascoal Parente do ano de 1796 representando Sto. António a tomar o hábito franciscano.
Do lado nascente ergue-se, perpendicularmente à igreja, a Capela mortuária de Sto. António, dos finais do século XIX, ao gosto neo-gótico. Esta surge para substituir uma anterior que, segundo a tradição, teria sido o local da cela ocupada pelo santo. No seu interior podemos admirar um interessante retábulo barroco em talha dourada que pertenceu à igreja de S. João de Almedina. A Capela é ornada por um lambril de bons azulejos hispano-árabes do século XVI.
Enriquecem ainda a igreja de Santo António dos Olivais em Coimbra várias esculturas barrocas em madeira, esculturas em barro do século XVII, pintura dos séculos XVII, XVIII e XIX, mobiliário e diversas alfaias litúrgicas.
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