Igreja do Salvador

Sede paroquial da freguesia de S. Salvador da cidade de Beja, esta igreja já existia na segunda metade do século XIII. Contudo, remodelações sucessivas alteraram a traça arquitetónica do Salvador, sobretudo a partir do século XVII. Esta campanha seiscentista teve início em 1652.
A fachada principal da igreja é sóbria e de alvenaria, com empena triangular sobrepujada por cruz latina e ladeado por aletas. Delimitam a fachada duas altas pilastras com acrotérios piramidais. Três portais, ladeados por pilastras também com acrotérios piramidais, dão acesso à igreja, apresentando o central frontão triangular e os laterais frontão curvo. A parte restante da fachada é rasgada por três janelas retangulares, tendo na parte axial, sobre o portal principal, um painel barroco de azulejo azul e branco com a representação da Divina Pastora das Almas.
A torre sineira, recuada e adossada à Capela da Colegiada, sobressai da volumetria da Igreja do Salvador, apresentando uma cobertura bolbosa e com pináculos e tendo no seu interior uma escada helicoidal do século XVI. O interior da igreja é constituído por corpo de uma só nave coberto por abóbada de berço, possuindo quatro capelas laterais, rasgando as paredes da nave, e duas colaterais, marcando o transepto. Estas últimas possuem pequenos retábulos maneiristas dos inícios do século XVII, consagrados atualmente ao Sagrado Coração de Jesus e a N. S. de Fátima.
As capelas laterais apresentam decoração diversa. A Capela de S. Pedro possui uma imagem setecentista deste apóstolo, ricamente estofada e policromada. O altar é dos finais do século XVI e tem retábulo maneirista de edícula, enquadrando tábuas da mesma época, realizadas por artistas locais.
Dedicada a N. S. das Dores, esta outra capela tem um altar do último quartel do século XVIII. A do S. Sacramento inclui estrutura retabular do barroco nacional, enquanto a dedicada a N. S. da Conceição é uma obra de transição entre o assimétrico rocaille e o depurado neoclássico.
A sobriedade arquitetónica da capela-mor contrasta com a grandiosa composição retabular do barroco joanino, datada de cerca de 1750. Este movimentado retábulo de colunas torsas assente em mísulas de atlantes tem ainda uma profunda tribuna e inclui um trono escalonado, ornamentado por túrgida decoração barroca.
Das várias alfaias de culto que se guardam nesta igreja de Beja, são de salientar duas peças de ourivesaria. A primeira é uma custódia rocaille em prata dourada, datada de cerca de 1780; a segunda é uma cruz processional em prata, com túrgida decoração da segunda metade do século XVIII.
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