Igreja do Seminário dos Jesuítas

A antiga Igreja do Colégio da Companhia de Jesus em Santarém, atual Igreja do Seminário Patriarcal, impõe-se na Praça de Sá da Bandeira, no espaço dos primitivos paços reais escalabitanos, doados por D. João IV à Companhia de Jesus.
As obras do monumento iniciaram-se em 1647 e terminaram em 1679, isto apesar da decoração interior se ter prolongado pela primeira metade do século XVIII. O risco do projeto é atribuído, por documentação coeva, ao arquiteto Mateus do Couto (Tio), revelando a sua poderosa fachada, no centro do edifício colegial, uma linguagem austera do maneirismo tardio, própria do denominado "estilo chão".
De acordo com as palavras do historiador de arte Vítor Serrão, a frontaria apresenta um "...dispositivo de alternâncias rítmicas, jogo transversal dos calabres de "tipo manuelino" e sentido grandiloquente das proporções".
A fachada divide-se em cinco corpos através de largas pilastras e apresenta três andares rematados por elevado frontão, ladeado por aletas e altos pináculos. Vencidos os degraus de uma ampla escadaria, deparamo-nos defronte dos três portais retangulares que marcam o piso térreo, sendo os dois laterais rematados por frontões triangulares interrompidos. O portal axial apresenta colunas adossadas que se prolongam em pináculos alteados por bases, sendo encimado por baixo-relevo cristológico envolvido por estrutura de colunas adossadas, sustentando frontão triangular interrompido. Os dois andares superiores são rasgados por janelões e nichos contendo esculturas de santos jesuíticos. No centro do frontão da empena, uma imponente imagem da Virgem está abrigada num nicho ladeado por colunas adossadas. Decoração relevada avulsa em cartelas espalha-se nos paramentos da fachada, notando-se em duas delas, ao nível do piso inferior, a data de 1676, ano em que terminaram os trabalhos da frontaria jesuítica.
Contrastando vivamente com a severidade das linhas maneiristas da fachada, o interior do templo é marcado pela exuberante linguagem da arte barroca. Nave única, espaço rutilante e enobrecido pela sumptuosa decoração dos tetos pintados, das talhas douradas, dos embutidos de mármore e das imagens santificadas. A abóbada da nave apresenta uma extensa pintura em "trompe l'oeil" com representações de N. Sra. da Conceição, narrações do Antigo Testamento ou ainda alegorias dos quatro continentes. O ilusório jogo da pintura prolonga-se nas estruturas arquitetónicas simuladas e na decoração subjacente, acentuando o ilusório efeito de maior dimensão espacial do teto. O empreendimento desta notável obra de pintura barroca foi executada durante o 1.º quartel do século XVIII.
Os restos mortais do fundador deste monumento escalabitano, o armeiro-mor D. Duarte da Costa, foram trasladados para a capela-mor em 1698. As obras barrocas do retábulo-mor, de pedra de jaspe, foram realizadas em 1713 pelo arquiteto italiano Carlos Batista Garvo. Frescos barrocos cobrem o teto da ousia, obra do pintor Luís Gonçalves Sena e que se encontra em acentuado estado de degradação.
O espaço interior revela ainda algumas áreas de grande beleza, como sejam o surpreendente retábulo de talha dourada da Capela de N. Sra. da Glória, ou da Boa Morte, decorado por um baixo-relevo do Apocalipse, obra executada em 1705 pelos entalhadores de Lisboa, António Martins Calheiros e António Luís. O trono retabular possui uma escultura da Virgem com o Menino, atribuída ao francês Claude Laprade.
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